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Notícia de Ciência e Saúde
Pesquisa Levedura do pão e da cerveja pode ser alternativa para tratar leucemia infantil O artigo sobre o estudo, iniciado em 2013, foi publicado no mês passado na revista Scientific Reports, do grupo Nature

Por: Agência Estado

Publicado em: 12/12/2016 18:53 Atualizado em:

Uma enzima da levedura do pão e da cerveja pode, no futuro, ser uma alternativa para o tratamento da leucemia infantil. Em testes in vitro, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) constataram que a enzima L-asparaginase, retirada da substância, é capaz de atacar células tumorais desse tipo de câncer sem interferir nas células saudáveis. O artigo sobre o estudo, iniciado em 2013, foi publicado no mês passado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Na pesquisa, a enzima se mostrou eficaz para tratar a leucemia linfóide aguda infantil, cujo tratamento já é feito com a enzima L-asparaginase, mas com uma versão retirada da bactéria E. Coli, que pode causar irritações no sistema imunológico do paciente. Com a nova enzima, obtida a partir da levedura do pão e da cerveja, a expectativa é de que seja possível combater a doença com menos efeitos colaterais.

"A levedura do pão, que usamos há tantos anos para obter produtos fermentados, é um organismo simples e a gente consegue trabalhar bem com ele. O que está presente no mercado hoje é advindo de bactérias e pode causar reações imunes. Como esse vem da levedura e é mais semelhante ao nosso organismo, a gente espera que ela vai causar menos alergia nos pacientes. A leucemia linfóide aguda atinge crianças entre 3 e 5 anos, que têm uma expectativa de vida enorme. Elas não podem fazer um tratamento que cause danos, com efeitos colaterais ", diz Gisele Monteiro, professora Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica da USP e orientadora da pesquisa.

"As células tumorais (desse câncer) têm uma deficiência para a produção de asparagina. Quando colocamos a enzima, essas células morrem e as normais, não. Espero que, quando terminarmos o projeto, tenhamos uma produção brasileira para ter um medicamento para tratar as crianças", afirma.

Surpresa

Iris Munhoz Costa, aluna do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica da USP e autora principal da pesquisa - que faz parte de um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), diz que o resultado foi surpreendente, embora o estudo ainda esteja em fase inicial.

"A gente não esperava uma resposta tão positiva. Fizemos o teste e, in vitro, a enzima tem atividade alta. Sabemos que ainda é um trabalho preliminar, não sabemos como ela se comporta fora do tubo de ensaio, mas foi um primeiro passo para mostrar que é possível encontrar alternativas."

Novos testes in vitro serão realizados para verificar se a enzima é tóxica ou não. Apenas com esses resultados é que o estudo deve avançar para análises com cobaias. Se os resultados continuarem sendo positivos, ela poderá ser testada em humanos.

"Todos nós estamos nos dedicando, mas isso não é para um futuro próximo, porque o desenvolvimento de medicamentos demora muito", diz Iris.


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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