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Notícia de Ciência e Saúde
Infeccção Novo anticorpo neutraliza vírus da zika em camundongos De acordo com os autores da pesquisa, o novo anticorpo poderá acelerar o desenvolvimento de vacinas e terapias contra a doença

Por: Agência Estado

Publicado em: 07/11/2016 17:48 Atualizado em:

Cientistas dos Estados Unidos descobriram um anticorpo capaz de reduzir drasticamente a infecção por zika em camundongos. De acordo com os autores da pesquisa, que teve seus resultados publicados nesta segunda-feira, na revista Nature, o novo anticorpo poderá acelerar o desenvolvimento de vacinas e terapias contra a doença.

Ao ser administrado em fêmeas grávidas, antes ou depois da infecção por zika, o anticorpo reduziu os níveis do vírus nos tecidos da placenta e do feto, além de reduzir os danos causados ao bebê camundongo. A transmissão da mãe para o feto também foi reduzida.

Por causa das diferenças entre as características da gestação de humanos e de roedores, será preciso realizar novos estudos para que a descoberta tenha aplicação clínica, mas a equipe de cientistas, liderada por James Crowe, da Universidade Vanderbilt no Tennessee (Estados Unidos), acredita que a descoberta logo poderá ser útil para os esforços de desenvolvimento de uma vacina efetiva contra a zika.

"Esses anticorpos que são produzidos naturalmente pelo corpo humano representam a primeira intervenção médica que evita a infecção por zika e o dano aos fetos. Estamos animados, porque os dados sugerem que podemos ter nas mãos um tratamento com anticorpos que pode ser desenvolvido para o uso em mulheres grávidas", afirmou Crowe.

Defesas naturais
Os anticorpos foram isolados a partir de glóbulos brancos - células que integram a defesa imunológica do organismo - de três pessoas que já haviam sido infectada por zika. Em seguida, os cientistas selecionaram os anticorpos batizados de ZIKV-117, que se mostraram especialmente potentes em testes preliminares.

Os anticorpos foram testados então em camundongos geneticamente preparados para se tornarem suscetíveis à zika. Em experimentos separados, camundongos gestantes receberam o tratamento antes e depois da infecção. Em ambos os casos, a carga viral foi reduzida tanto na mãe como no feto, houve menos danos na placenta e os camundongos nasceram maiores.

Os resultados, de acordo com os autores, indicam que o tratamento poderá ser útil tanto antes da infecção - como medida de prevenção -, como depois da infecção, como terapia.

"A notável potência e abrangência do ZIKV-117 é uma grande promessa, já que o anticorpo inibiu a infecção por linhagens africanas, asiáticas e americanas do vírus da zika, em culturas de células e em animais, antes e depois da gravidez", disse outro dos autores do artigo, Michael Diamond, da Universidade de Washington (Estados Unidos).


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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