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Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de "milícia terrorista"

Movimento tomou costa iemenita do Mar Vermelho e deixou centenas de mortos

AFP

Publicado: 22/09/2026 às 19:01

Imagem mostra combatentes ligados ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita em confronto com forças houthis na província de Al-Jawf/AFPTV/AFP

Imagem mostra combatentes ligados ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita em confronto com forças houthis na província de Al-Jawf (AFPTV/AFP)

Os houthis do Iêmen acusaram nesta terça-feira (22) a Arábia Saudita de realizar ataques contra um porto no Mar Vermelho, e foram chamados pelo rei Salman de "milícia terrorista" que tem como alvo a cidade sagrada de Meca.

A tomada da costa iemenita do Mar Vermelho pelos houthis deixou centenas de mortos e desperta temores quanto ao comércio e à navegação mundial através do essencial Estreito de Bab el-Mandeb.

A ONU alertou hoje que o número de deslocados pode aumentar dos aproximadamente 130.000 atuais para mais de 230.000 nos próximos meses.

A conquista de território pelos houthis reforçou o Irã e seus aliados em duas rotas marítimas: Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz, ambas muito importantes para o trânsito de hidrocarbonetos.

A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen reconhecido por boa parte da comunidade internacional, tenta conter seu avanço.

O rei Salman da Arábia Saudita, que aos 90 anos não costuma aparecer em público, condenou "a nova tentativa da milícia terrorista houthi de atacar Meca" e considerou que se tratava de "uma provocação aos muçulmanos de todo o mundo", segundo a imprensa estatal.

Riade acusa os combatentes pró-Irã de terem realizado um ataque contra Meca nesta terça-feira.

A retomada das hostilidades no Iêmen afeta fortemente o principal exportador mundial de petróleo, com uma forte queda do tráfego em Bab el-Mandeb.

Esta via, que conecta a Europa à Ásia pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez, era fundamental para o reino desde que o Irã bloqueou Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

Civis mortos no Iêmen

Riade não conseguiu fazer com que os houthis recuassem, apesar dos bombardeios diários em áreas do Iêmen que controlam.

Ataques aéreos contra a cidade portuária de Moca mataram seis civis, incluindo duas crianças e uma mulher, segundo os combatentes pró-Irã.

Os houthis também anunciaram a morte de uma mulher e de seu filho em ataques no noroeste do país, assim como a de nove detentos em uma prisão.

Este grupo iemenita continua, por sua vez, com seus ataques ao reino saudita, afirmando ter como alvo infraestruturas energéticas e militares.

Apoio de Paris e Londres

Preocupado com uma "instabilidade econômica mundial", o G7 expressou sua "plena solidariedade" ao governo iemenita e à Arábia Saudita, e instou os houthis a cessar seus ataques.

Nesse contexto, uma fonte diplomática declarou à AFP que a França está "disposta a contribuir" para a segurança das infraestruturas energéticas. "Em nenhum caso se trata de participar do conflito com os houthis", afirmou.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, concordou em fornecer apoio logístico militar a Riade, segundo vários meios de comunicação.

O presidente do conselho presidencial iemenita, respaldado pelo governo saudita, pediu apoio aos Estados Unidos durante um telefonema com o presidente Donald Trump no domingo, assegurou na segunda-feira à AFP uma fonte de seu entorno.

Trump expressou sua solidariedade a Rachad al-Alimi, mas não prometeu apoio militar, acrescentou a fonte.

Segundo vários veículos, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato da Arábia Saudita, também pediu ao presidente americano que atacasse os houthis.

O enviado especial dos Estados Unidos Steve Witkoff reuniu-se hoje em Nova York com o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, paralelamente à Assembleia Geral da ONU. Segundo a agência de notícias estatal Irib, Araqchi disse a Witkoff que as exigências de Teerã incluem "o levantamento imediato do bloqueio naval americano a portos iranianos, o pagamento imediato de todos os ativos iranianos congelados e o fim da guerra em todas as frentes de resistência".

A guerra no Iêmen eclodiu em 2014, quando os houthis assumiram o controle da capital, Saná, e de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.

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