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Arábia Saudita classifica de ato terrorista o ataque dos Houthis contra Meca

Os Houthis negaram ter Meca como alvo

Isabel Alvarez

Publicado: 16/09/2026 às 20:47

 Os Houthis negaram ter Meca como alvo e declarou que a acusação era uma mentira repugnante. /Foto: AHMAD AL-BASHA / AFP

Os Houthis negaram ter Meca como alvo e declarou que a acusação era uma mentira repugnante. (Foto: AHMAD AL-BASHA / AFP)

As Forças Armadas sauditas anunciaram hoje ter interceptado e destruído um drone hostil disparado pelos Houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, antes de entrar no espaço aéreo de Meca. Não houve registro de vítimas ou danos materiais. A Arábia Saudita classificou como um ataque terrorista covarde contra a cidade mais sagrada do Islã.

“A alegada tentativa de ataque constitui mais uma demonstração das práticas da milícia terrorista dos houthis de atacar e profanar locais sagrados e incitar o ódio entre os muçulmanos de todo o mundo", diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita. A chancelaria ainda assinalou que esta foi à segunda tentativa de atacar Meca, recordando que em 2017 às defesas aéreas sauditas interceptaram um míssil balístico dos rebeldes iemenitas contra Meca.

O Ministério destacou o direito legítimo do país de adotar todas as medidas necessárias para defender a segurança das Duas Mesquitas Sagradas, dos peregrinos e de todos os territórios, cidadãos e residentes do reino.

O governo de Riade também apelou à comunidade internacional para que condene estes graves ataques e tome uma postura firme contra os rebeldes, que, além disso, tem ameaçado a navegação no Mar Vermelho e impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita desde o final de julho.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, condenou igualmente a alegada ofensiva e manifestou solidariedade com Riade, avaliando que qualquer agressão contra Meca é extremamente grave e causa a indignação de todos os muçulmanos.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Jasem al-Budaiwi, também considerou o incidente como uma tentativa terrorista traiçoeira e um ato criminoso atroz dos Houuthis. “O ataque representa uma escalada extremamente perigosa, uma transgressão de todos os limites e uma violação flagrante da santidade de Meca”, afirmou Al-Budaiwi.

O governo do Iêmen, aliado de Riade, condenou veementemente a tentativa das forças houthis de atacar Meca e a qualificou de uma violação flagrante da soberania saudita. “Os recentes ataques a cidades e infraestruturas sauditas realçam a ameaça representada pelo grupo rebelde Houthis. Defendemos o seu direito de tomar medidas para proteger a sua soberania e os seus locais sagrados, de acordo com o direito internacional”, apontou o Ministério das Relações Exteriores do Iêmen.

Por outro lado, os Houthis negaram ter Meca como alvo e declarou que a acusação era uma mentira repugnante. O grupo reivindicou bombardeios contra instalações petrolíferas da empresa Aramco, em Yanbu, e a base aérea de Khamis Mushait. Eles anunciaram serem as respostas a uma série de mísseis lançados pela Arábia Saudita esta semana contra as suas posições. Também denunciaram nesta quarta-feira (16) que os aviões sauditas lançaram 40 ataques aéreos nas últimas 24 horas contra as suas posições em território iemenita, em plena escalada dos confrontos entre os insurgentes e as forças pró-governamentais do Iemen.

Encontro dos Houthis com autoridades dos EUA

Segundo revelaram fontes, sob anonimato, às agências de noticias internacionais, autoridades norte-americanas se reuniram no último fim de semana, em Omã, com representantes dos Houthis. O encontro aconteceu na embaixada dos Estados Unidos, em Mascate, contaram as fontes, acrescentando que o grupo indicou que não tinham qualquer intenção de atacar navios norte-americanos na região e que estão empenhados em manter o cessar-fogo estabelecido em 2025 com Washington. Além do mais, a milícia ainda garantiu que também não atacarão embarcações israelenses ou comerciais, com exceção das que pertencem aos sauditas.


Recentemente, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, pediu ajuda ao presidente dos EUA, Donald Trump, para combater os Houthis, que estão perto de controlar o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb. Trump, entretanto, negou, por enquanto, bombardear o grupo iemenita.

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