Petróleo dispara após ataques dos Houthis a oleoduto saudita
O preço do barril atingiu 108 dólares
Publicado: 14/09/2026 às 17:38
O regime de Teerã apoia militar, financeira e politicamente o grupo iemenita dos Houthis. ( Foto: AFP)
O barril do tipo Brent, principal referência internacional para o preço do petróleo, subiu hoje 3,25% após novos ataques do grupo iemenita Houthis contra a Arábia Saudita, no fim de semana. O preço do barril atingiu 108 dólares.
Na última quarta-feira já havia ultrapassado a barreira dos 100 dólares pela primeira vez desde julho e registrado uma valorização de quase 9% na semana anterior.
Os Houthis, apoiados pelo Irã, lançaram vários ataques contra a Arábia Saudita no fim de semana e capturaram a ilha estratégica de Perim, no estreito de Bab al-Mandab. Além disso, os bombardeios dos rebeldes do Iêmen no território saudita obrigaram ainda ao fechamento do oleoduto leste-oeste nas regiões de Riade e Medina, uma das infraestruturas mais importantes do país para a exportação do produto através do Mar Vermelho. As ofensivas danificaram a conduta de petróleo, o que levou ao seu encerramento. O governo de Riade ainda não deu detalhes sobre a extensão dos danos, no entanto o mercado mostra receio de que haja interrupções nesta conduta, o que afetaria 4% da oferta mundial de petróleo. Os comerciantes do setor já alertaram que as reservas de petróleo para exportação vão se esgotar caso o oleoduto não seja reaberto em poucos dias.
Conflito
Os Houthis anunciaram recentemente um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e tem atacado navios-tanque e infraestruturas do reino. O grupo acusa os sauditas de iniciarem a guerra e de manter um bloqueio aéreo e econômico sobre as zonas do Iêmen sob controle dos Houthis durante 12 anos, bem como de continuar com a mobilização militar, citando a alegada militarização do porto civil de Moca, na costa iemenita do Mar Vermelho.
O porta-voz dos Houthis afirma que a atual campanha militar em larga escala é em resposta aos mais de 300 ataques aéreos sauditas nos últimos dias e prometeu que as operações em território saudita continuarão enquanto a agressão persistir. “A Arábia Saudita não estará a salvo enquanto continuar com as operações hostis no Iêmen. Se o inimigo saudita imagina que, depois de lançar 300 ataques aéreos em cinco dias, a sua situação permanecerá sendo segura e estável, vive numa ilusão”, declarou.
Os Houthis controlam grande parte do norte do Iêmen, incluindo a capital Sanaa, além da grande cidade portuária de Hodeida e combatem há anos as forças governamentais iemenitas, que são reconhecidas internacionalmente. Até então não detinham setores com acesso direto a Bab el-Mandeb, mas avançaram e agora dominam localidades essenciais e próximas a este estreito, com perspectivas reais de controlá-lo. Essa passagem marítima é estratégica, uma vez que liga a Ásia à Europa por meio do Mar Vermelho e do Canal do Suez, e ganhou mais importância com a guerra no Oriente Médio, que desencadeou o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que pelo menos 504 pessoas morreram e quase 2.400 ficaram feridas no último mês de combates entre os rebeldes Houthis e as forças do governo do Iêmen. A agência da OMS no Iêmen relatou um forte crescimento do número de vítimas nos últimos dias, indicando que, apenas entre 6 e 12 de setembro, foram contabilizadas 1.746 vítimas, incluindo 297 mortos. O aumento aconteceu durante a ofensiva do grupo para conquistar a costa sul do país. De acordo com a OMS, sete unidades de saúde foram danificadas, num momento em que o conflito entrou numa fase de múltiplas frentes com numerosas vítimas.
Reunião adiada
Com a escalada regional, o ministro das Relações Exteriores do Omã, Sayyid Badr Albusaidi, avisou que foi adiada a reunião marcada para esta segunda-feira (14) entre o Irã e os países do Conselho de Cooperação do Golfo sobre o futuro do Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas tinham declarado que iriam participar no encontro com Estados árabes do Golfo para apresentar um acordo com o Omã sobre a gestão das rotas de navegação no Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo antes da guerra.
Porém, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, adiantou que, independentemente de qualquer acordo com o Omã, o Irã não reabriria o estreito até que os Estados Unidos atendessem às exigências do regime de Teerã.
Enquanto isso, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã, criada pelo país para gerir a passagem no Estreito de Ormuz, publicou uma lista atualizada de 77 embarcações que violaram os protocolos iranianos para a via. “As embarcações listadas enfrentarão restrições de passagem futura, incluindo multas, detenção ou confisco”, disse o organismo.