EUA recusam visto a presidente da Autoridade Palestina para Assembleia Geral da ONU
Medida impede a participação de Mahmoud Abbas no encontro global em Nova York; liderança palestina classifica a decisão como "injustificada"
Publicado: 18/09/2026 às 13:33
Nos bastidores, integrantes do Itamaraty classificaram a proposta inicial de Trump como uma espécie de "bullying diplomático" (AFP)
Os Estados Unidos recusaram mais uma vez a concessão de visto a Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, e a membros do seu governo. A medida impede a delegação de participar dos debates da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada na próxima semana, em Nova York.
O Departamento de Estado norte-americano alega que a liderança palestina não implementou as reformas prometidas e adota medidas que comprometem a paz no Oriente Médio — como o pagamento de benefícios financeiros a indivíduos ligados a atos de violência e o incentivo ao radicalismo em declarações públicas e materiais escolares.
Washington também critica as tentativas da Autoridade Palestina de levar o conflito a instâncias jurídicas internacionais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ), em vez de priorizar negociações diretas com Israel, além de condenar a busca pelo reconhecimento unilateral do Estado palestino na ONU.
Discussão sobre o papel dos EUA como país-sede da ONU
A restrição adotada pelo governo norte-americano reitera a postura assumida no ano anterior, quando a recusa do visto gerou debates internacionais sobre o cumprimento dos deveres dos EUA como país-sede das Nações Unidas. O acordo de sede estabelece que o país hospedeiro deve garantir livre acesso a representantes de Estados-membros e observadores às reuniões da organização.
Em nota, a Autoridade Palestina rejeitou as acusações e condenou a renovação das sanções. "O Estado da Palestina reafirma sua total rejeição e condenação à decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA. Trata-se de uma medida injustificada, que contraria os esforços para restabelecer a confiança, desenvolver as relações palestino-americanas e criar o ambiente político necessário para alcançar a solução de dois Estados e a estabilidade na região", diz o comunicado oficial.
Avanço dos assentamentos e tensões na Cisjordânia
A decisão diplomática ocorre em meio à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada — construções consideradas ilegais pelo direito internacional e sucessivamente condenadas pela ONU e pela comunidade global.
Paralelamente, forças israelenses realizaram novas operações na cidade de Nablus, na Cisjordânia. Tropas entraram no campo de refugiados de al-Ein, ordenaram a saída de moradores e converteram uma das residências em posto militar, o que levou à suspensão das aulas em escolas e creches locais. Em Tulkarem, imóveis foram ocupados e passarem por buscas, resultando na detenção de moradores para interrogatório.
Recentemente, os ministros das Relações Exteriores de 12 países — incluindo Canadá, França, Reino Unido, Espanha, Portugal e Suécia — alertaram que a situação na Cisjordânia está se deteriorando rapidamente devido a níveis sem precedentes de violência promovidos por colonos. O grupo exigiu que Israel interrompa a expansão territorial e apure as alegações de abusos cometidos por forças de segurança.
Israel ocupa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Atualmente, mais de 500 mil colonos israelenses residem na região. As incursões e a violência no território se intensificaram significativamente após o início do conflito na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
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