Houthis avançam no controle do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb
Os combates do grupo rebelde ameaçam cada vez mais escalar o conflito da região e afetar o abastecimento global de energia
Publicado: 10/09/2026 às 16:01
O estreito é um alvo militar estratégico para os Houthis, que controlam as zonas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. (Foto: AFP)
Segundo revelaram fontes militares do governo do Iêmen às agências de noticias, o grupo iemenita dos Houthis está perto de obter o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas comerciais marítimas mais importantes do mundo. Os combates do grupo rebelde, apoiado por Teerã, contra as forças do governo, reconhecidas internacionalmente e apoiadas pela Arábia Saudita, ameaçam cada vez mais escalar o conflito da região e afetar o abastecimento global de energia.
O bloqueio desta passagem poderá isolar os países produtores de petróleo do Golfo, como a superpotência energética da Arábia Saudita, das suas principais via de transporte marítimo de petróleo bruto, após o Irã já ter efetivamente fechado o Estreito de Ormuz — a principal artéria marítima de energia entre a Ásia e a Europa e estar sob ameaça constante de ataques e minas subaquáticas.
As fontes disseram que os Houthis já conquistaram hoje o arquipélago de Hanish, próximo de Bab el-Mandeb, logo depois da tomada da cidade costeira de Mocha, sendo uma captura significativa para dominar as águas do estreito. Os Houthis ainda estão prestes a controlar também Dhubab. As duas localidades estão situadas diretamente ao longo da costa de Bab el-Mandeb.
O estreito é um alvo militar estratégico para os Houthis, que controlam as zonas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. Bab el-Mandeb é a saída sul do Mar Vermelho, entre o Iêmen e a Península Arábica e o Djibuti e a Eritreia, na costa africana. É uma das rotas mais valiosas do mundo para o transporte de petróleo bruto e combustíveis do Golfo com destino ao Mediterrâneo — via Canal do Suez ou oleoduto SUMED, na costa egípcia do Mar Vermelho —, assim como para mercadorias destinadas à Ásia, incluindo o petróleo russo.
Mohammed Abdul Salam, porta-voz dos Houthis, apontou que as operações em curso cessarão quando os ataques ao Iêmen terminarem e o bloqueio for suspenso. O movimento iemenita, após ter anunciado um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, exige que o governo saudita suspenda o cerco aos portos e aeroportos sob seu controle e reivindicam a liberação total do espaço aéreo iemenita e a permissão para que aviões e navios comerciais entrem livremente em seu território sem restrições ou inspeções internacionais. Salam garante que os ataques do grupo se limitam a alvos específicos e têm caráter defensivo.
Por outro lado, as forças governamentais do Iêmen e os seus aliados avisaram que se deslocam para o sul, em direção a Dhubab, em frente à ilha de Perim. “O controle de Dhubab e da ilha é essencial para dominar o estreito”, afirmaram as fontes.
Em paralelo, o grupo trava um confronto direto com a Arábia Saudita, As forças também realizaram cerca de 40 ataques aéreos no Iêmen nas últimas horas, em resposta aos recentes bombardeios dos rebeldes contra o país e que deixou pelo menos 73 pessoas feridas em quatro das suas cidades.
“Os Houthis lançaram na semana passada uma ampla ofensiva contra as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. Paralelamente, realizam ataques contra o reino; um deles fez dezenas de feridos na terça-feira. Na quarta-feira, dispararam vários mísseis balísticos e drones contra as cidades de Khamis Mushait, Abha e Jizan, no sul da Arábia Saudita”, declarou Turki Al-Maliki, porta-voz da coligação liderada por Riade.
Mas, além disso, duas fontes iranianas afirmaram que Teerã instruiu os Houthis, na semana passada, para dispararem ataques contra a Arábia Saudita, prometendo financiamento e armamento adicionais, ao mesmo tempo em que vários comandantes da Guarda Revolucionária do Irã se deslocaram ao Iêmen para ajudar a coordenar as ofensivas.
De acordo com a agência France Press (AFP), desde a passada semana, os combates no Iêmen fizeram mais de 500 mortos, em ambos os lados.
A escalada do conflito no Iêmen ainda decorre num momento em que o Irã e os Estados Unidos realizam uma onda de ataques recíprocos contra embarcações na região do Golfo desde o início das hostilidades.