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ATAQUE

Rússia retoma ataques contra Ucrânia após a visita dos enviados dos EUA

Os emissários estiveram no fim de semana nas duas capitais, na primeira deslocação à Ucrânia desde o início da guerra

Isabel Alvarez

Publicado: 08/09/2026 às 18:49

Os ataques russos contra o território ucraniano, sobretudo Kiev, intensificaram-se significativamente nos últimos meses./Foto: MIKHAIL METZEL / POOL / AFP

Os ataques russos contra o território ucraniano, sobretudo Kiev, intensificaram-se significativamente nos últimos meses. (Foto: MIKHAIL METZEL / POOL / AFP)

Na madrugada de segunda-feira, novos ataques causaram duas mortes e oito feridos na capital ucraniana, após uma trégua devido à visita dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, que tentaram relançar as negociações de paz entre Moscou e Kiev depois de mais de seis meses de paralisação.

Os emissários estiveram no fim de semana nas duas capitais, na primeira deslocação à Ucrânia desde o início da guerra. Witkoff considerou que os encontros em ambas as viagens permitiram progressos substanciais na organização de conversações tripartidárias. Uma fonte governamental ainda revelou a agências de noticias que conselheiros de segurança nacional do Reino Unido, da França e da Alemanha também estiveram em Kiev no domingo, mas sem detalhar se participaram da reunião com os norte-americanos.

A agência estatal russa Tass confirmou igualmente que o cessar-fogo de três dias instituído por ocasião da visita dos negociadores dos Estados Unidos à Ucrânia chegou ao fim. O governo ucraniano também havia suspenso as ofensivas contra a região de Moscou.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, instou hoje, por telefone, ao líder russo para Vladimir Putin que termine rapidamente à guerra na Ucrânia, logo após a Casa Branca ter retomado os contatos de mediação. "Trump expressou claramente a ideia de que seria desejável um fim rápido do conflito, o que abriria imediatamente o caminho para o restabelecimento total das relações entre os EUA e a Rússia", afirmou Yuri Ushakov, conselheiro de política internacional do Kremlin.

No entanto, o chefe de política do Pentágono, Elbridge Colby, numa videoconferência com responsáveis pela defesa de países que apóiam a Ucrânia, avisou que o mundo tem de estar preparado para um longo conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Mas, salientou que a administração Trump está empenhada em alcançar uma paz duradoura. "Temos de estar preparados para um conflito prolongado e para que as necessidades da Ucrânia persistam nos próximos meses e anos, e temos também de estar preparados para outras contingências plausíveis", alertou.

Ajuda do bloco europeu

A presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen anunciou que a União Europeia (UE) autorizou hoje a Ucrânia a usar os fundos do empréstimo europeu de 90 bilhões de euros para comprar mísseis interceptores Patriot, fabricados nos EUA.

"Saúdo o acordo alcançado pelos Estados-membros sobre a derrogação que permite à Ucrânia adquirir produtos essenciais para os sistemas de defesa aérea Patriot. O próximo desembolso de 3,2 bilhões de euros do empréstimo vai permitir que a Ucrânia proteja melhor os seus céus contra os ataques indiscriminados da Rússia", afirmou.
Segundo von der Leyen e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, a UE e a Aliança Atlântica continuarão a trabalhar para apoiar a Ucrânia e reforçar a capacidade de defesa da Europa. “É mais um exemplo da Europa assumindo as suas responsabilidades", enalteceu Rutte.

A Alemanha também já enviou do seu estoque mísseis Patriot à Ucrânia e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky agradeceu ao governo de Berlim pelo fornecimento. "São precisamente este tipo de decisões que fazem avançar a paz: aquelas que reduzem a capacidade do agressor de destruir vidas. Obrigado à Alemanha pela sua posição de princípio, pelo seu apoio e pelas milhares e milhares de vidas salvas dos ataques russos!", escreveu na rede social.

Este anúncio foi feito num contexto em que Kiev tem alertado para a necessidade urgente de mísseis interceptores norte-americanos Patriot, os únicos capazes de neutralizar os mísseis balísticos russos, que voam a grande velocidade em trajetórias muito inclinadas.

Os ataques russos contra o território ucraniano, sobretudo Kiev, intensificaram-se significativamente nos últimos meses.

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