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Alemanha, França e Polônia afirmam que responderão à escalada da Rússia na Europa: "Haverá consequências"

Os ministros de Relações Exteriores dos três países, se reuniram no chamado Triângulo de Weimar para discutir a "crescente agressividade" de Putin em relação à Europa

Estadão Conteúdo

Publicado: 03/09/2026 às 11:48

Os ministros Johann Wadephul (Alemanha), Jean-Noël Barrot(França) e Radoslaw Sikorski (Polônia) discutiram medidas contra Moscou
/AFP

Os ministros Johann Wadephul (Alemanha), Jean-Noël Barrot(França) e Radoslaw Sikorski (Polônia) discutiram medidas contra Moscou (AFP)

Os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França e Polônia, reunidos no chamado Triângulo de Weimar, destacaram nesta quinta-feira (3) que a Rússia está aumentando sua agressividade em relação à Europa, no contexto de uma recrudescência da guerra na Ucrânia, à qual os europeus responderão, portanto, haverá "consequências" para episódios como o ataque frustrado no aeroporto de Leipzig, que Berlim atribui à Rússia.

Após um encontro na cidade alemã de Weimar, onde esse fórum de diálogo nasceu em 1991, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, agradeceu as demonstrações de apoio à Alemanha após denunciar que a Rússia está por trás da tentativa de ataque com drones no aeródromo de Leipzig, e ressaltou que "a Europa permanece unida quando a Rússia tenta desestabilizar a segurança e as sociedades" do continente.

"Continuamos com nosso apoio e aumentamos a pressão sobre Moscou para que ela se engaje em negociações sérias. Os ataques e ameaças da Rússia são dirigidos contra todos nós. Juntos, fortalecemos nossa resiliência", afirmou, apelando por uma Europa "capaz de agir e forte".

Seu colega francês, Jean-Noël Barrot, advertiu a Rússia de que a Europa "responderá" a atos de "gravidade" como o ocorrido no aeroporto de Leipzig.

"É evidente que, quando se atenta contra a integridade territorial da União Europeia, do território da OTAN, contra a integridade de nossos processos eleitorais; em suma, sempre que o coração de nossos Estados e de nossas democracias for atingido por ataques, mesmo que sejam híbridos, nós responderemos", enfatizou.

"Que imagem daríamos se não fôssemos capazes de responder quando se ataca o que há de mais essencial, aquilo sobre o que nunca se pode transigir?", questionou o ministro das Relações Exteriores da França, para ressaltar que, quando ocorrerem esses episódios, "haverá consequências".

Assim, ele atribuiu ao Kremlin uma intensidade renovada no conflito. "A Ucrânia é quem sofre a agressão e a Europa é vítima de uma agressividade redobrada por parte da Rússia desde 24 de fevereiro de 2022", afirmou ele, acrescentando que, por sua vez, a Europa não demonstrou "agressividade" nem contra a Rússia nem contra seu presidente, Vladimir Putin, de quem disse que "aumenta ainda mais a tensão e vai cada vez mais longe" no conflito.

De qualquer forma, ele fez um apelo para separar o Kremlin do povo russo, após ressaltar que este "sofre com as decisões imperialistas e coloniais" de Putin. Nesse sentido, ele dirigiu palavras à população que sofre com "racionamento de energia, vê 35 mil militares morrerem na linha de frente a cada mês ou assiste ao colapso da economia".

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, por sua vez, manifestou apoio à Alemanha pela reação ao ataque fracassado. "Não queremos que nossas fronteiras sejam violadas sem que haja consequências. Não aceitamos ataques contra nossas infraestruturas ferroviárias, não aceitamos assassinatos nem outras ações desse tipo", enfatizou.

Sikorski ressaltou que esse tipo de "terrorismo" por parte da Rússia é um problema "para toda a Aliança", em referência à OTAN "A Rússia de Putin é uma das ameaças mais importantes à paz na Europa. Essa Rússia ameaça destruir a arquitetura de segurança europeia e pretende impor o domínio nas relações internacionais, em vez de baseá-las na cooperação, e devemos enfrentar essas ambições", afirmou.

É por isso que ele destacou que, diante do conflito crescente no Oriente Médio, mas também na Europa, a forma de resolver os conflitos deve ser "a cooperação e a redução da tensão". "É isso que buscamos e, nesse contexto, a cooperação entre a Europa e os Estados Unidos é fundamental", resumiu.

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