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ONU alerta que Cisjordânia está à beira do colapso

O coordenador da ONU também destacou que o conflito e a ocupação israelense minaram as perspectivas de um Estado palestino independente, viável e soberano

Izabel Alvarez

Publicado: 13/08/2026 às 12:18

Um familiar carrega o corpo de Mohammed Bani Odeh, um dos dois meninos mortos junto com os pais por soldados israelenses enquanto estavam em um carro, durante o funeral na cidade de Tammun, na Cisjordânia/ JAAFAR ASHTIYEH / AFP

Um familiar carrega o corpo de Mohammed Bani Odeh, um dos dois meninos mortos junto com os pais por soldados israelenses enquanto estavam em um carro, durante o funeral na cidade de Tammun, na Cisjordânia ( JAAFAR ASHTIYEH / AFP)

O coordenador especial adjunto das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, alertou no Conselho de Segurança que a Cisjordânia está à beira do colapso devido à ocupação ilegal israelense.

"Enquanto o frágil cessar-fogo em Gaza e as tensões regionais captam grande parte da atenção da comunidade internacional, a Cisjordânia está à beira do colapso. Esta deterioração não foi repentina: é o resultado de décadas de conflito não resolvido, exacerbado pela ocupação ilegal de Israel", disse Alakbarov numa sessão do Conselho de Segurança sobre a escalada de violência na região.

O coordenador da ONU também destacou que a Autoridade Palestina está à beira do colapso e que o conflito e a ocupação israelense minaram as perspectivas de um Estado palestino independente, viável e soberano.

Alakbarov afirmou que apenas em 2026, cerca de 3.800 palestinos, quase metade crianças, foram deslocados devido à violência dos colonos, que atingiu níveis sem precedentes, com demolições e despejos. "A tendência é clara. As populações palestinas estão sendo deslocadas à força das suas aldeias por toda a Cisjordânia com uma frequência crescente, antes de os colonos se apropriarem das terras desocupadas", afirmou.

Na mesma sessão, Hannan Sulieman, diretora executiva adjunta da UNICEF, informou ainda que, entre janeiro de 2024 e o final de julho deste ano, 174 crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia, incluindo em Jerusalém Oriental. “Além disso, mais de 1.500 ficaram feridas neste período, quase metade por munições reais, enquanto três crianças israelenses foram mortas e outras 15 ficaram feridas”, indicou.

Sulieman acrescentou que, segundo as autoridades de Israel, pelo menos 355 crianças palestinas estão atualmente em centros de detenção militar israelense na Cisjordânia, o número mais elevado dos últimos oito anos. "As crianças detidas continuam a relatar atos de violência, tratamento humilhante e degradante e condições extremamente precárias, com uma nutrição e higiene inadequadas, o que leva à perda extrema de peso e à propagação da sarna entre as crianças", apontou.

Até o momento, a ONU documentou mais de 1.430 incidentes envolvendo colonos israelenses que resultaram em vítimas e danos materiais, afetando cerca de 260 comunidades palestinas, muitas vezes na presença de forças israelenses.

Desde o início do ano, as autoridades de planejamento urbano israelenses promoveram ou aprovaram a construção de cerca de 12.360 casas nesta região, tendo o governo de Israel anunciado, em julho, um investimento de cerca de 431 milhões de dólares para a criação de 34 novos assentamentos.

O ministro da Defesa de Israel reivindicou na segunda-feira "uma revolução" dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, num vídeo de campanha eleitoral em que se orgulhou de ter expulsado 40 mil palestinos de três campos de refugiados, além da criação de 104 novos assentamentos, o cancelamento das ordens de detenção administrativa de colonos e o estabelecimento de bases militares no norte da Cisjordânia.

Mais de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia em assentamentos considerados ilegais à luz do direito internacional, sem contar os cerca de 250 mil que residem em Jerusalém Oriental.

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