Onda de calor extremo na Europa causa crise energética
O cenário alimenta receios sobre o impacto econômico da seca e das chuvas irregulares
Publicado: 03/08/2026 às 15:20
Produção de energia nuclear caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio (Foto: DANIEL MIHAILESCU / AFP)
Os níveis extremamente baixos dos principais rios da Europa estão afetando a produção de energia, os transportes e os lucros das empresas. O cenário alimenta receios sobre o impacto econômico do calor intenso, da seca e das chuvas irregulares.
A produção de energia nuclear na Hungria e de energia hidroelétrica na Sérvia caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio, que atravessa grandes cidades como Viena, Budapeste e Belgrado no seu percurso da Alemanha até o Mar Negro.
“A central nuclear de Paks, que gera quase metade da eletricidade do país, será desligada hoje por causa dos baixos níveis de água no rio Danúbio. Uma situação inédita em 44 anos. Mas, os cinco dias mais difíceis ainda estão por vir", disse Péter Magyar, primeiro-ministro húngaro.
Na Sérvia, a produção da maior central hidroelétrica do país, Djerdap 1, caiu para 20% da capacidade, uma vez que o canal de navegação junto à central retraiu, expondo bancos de areia e cascalho. A falta de água também afetou os sistemas de refrigeração das centrais termoelétricas a carvão de Kostolac, obrigando a interrupção da produção. "Ao longo dos meses de maio, junho e julho, tivemos a menor produção nas centrais de Djerdap desde que entraram em funcionamento, na década de 1970”, apontou a ministra da Economia sérvia, Dubravka Djedovic Handanovic.
Na Romênia, a empresa estatal de energia nuclear relatou que teve de desligar um dos seus dois reatores no início desta semana pelo mesmo motivo, e é esperado que o segundo siga o mesmo caminho em breve, o que poderá privar o país de um quinto das suas necessidades de eletricidade. As forças navais romenas fizeram uma explosão controlada para desviar um grande volume de água para o Velho Danúbio e para a central nuclear de Cernavod, de forma a ajudar no seu arrefecimento.
A intensa seca no rio Danúbio revelou ainda ossos de um mamute na Bulgária.
A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental na semana passada agora se deslocou para o leste, onde os meteorologistas preveem que as temperaturas extremas cheguem a 40°C.
Enquanto isso, as autoridades do Reino Unido declararam que mais de metade de Inglaterra está em situação de seca, após níveis de precipitação mínimos e temperaturas excepcionalmente altas. O Reino Unido enfrenta atualmente a quarta onda de calor generalizada de 2026. “Os rios estão com níveis baixos, os agricultores recolhem as colheitas mais cedo, o risco de incêndio aumenta e milhões vivem sob restrições ao uso da água”, afirmou a Agência do Ambiente britânica.
A França também já precisou reduzir a geração de energia nuclear por causa dos baixos níveis de água e pelo aumento da temperatura dos rios. Além disso, Espanha, França e a Grécia ainda foram atingidas por grandes incêndios florestais, que devastaram milhares de hectares.
De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo, aquecendo a mais do dobro da média global. "No mês passado, a Europa Ocidental registrou as suas temperaturas mais altas, com o calor extremo e a seca generalizada a contribuírem para a propagação e intensificação de incêndios no território francês e espanhol", comunicou o Copernicus