Itália quer suspender acordo de Espaço Schengen na Espanha
Essa crise atual entre Roma e Madri surgiu com a entrada massiva ao enclave espanhol de centenas de migrantes vindos a nado ou em botes infláveis de Marrocos
Publicado: 31/07/2026 às 14:22
Primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni (Foto por ABDULLAH GUCLU / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP)
A suspensão da Espanha do Acordo de Espaço Schengen foi proposta pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, após milhares de imigrantes ilegais marroquinos terem chegado ao enclave espanhol de Ceuta, na quinta-feira (30). O acordo é um tratado europeu que extinguiu os controles de imigração nas fronteiras internas entre os países membros e criou uma grande zona de livre circulação de pessoas. Ele engloba várias nações e exige regras unificadas para vistos e seguro de viagem
Essa crise atual entre Roma e Madri surgiu com a entrada massiva ao enclave espanhol de centenas de migrantes vindos a nado ou em botes infláveis de Marrocos. Já o governo espanhol acusou a Itália de demagogia e convocou o embaixador italiano para explicações.
Por sua vez, denunciando as imagens chocantes vindas de Ceuta, Meloni afirmou que a Itália não ficará de braços cruzados sobre a situação. "Estamos reunindo as autoridades competentes e, após estas reuniões, estamos preparados para agir, inclusive através de medidas excepcionais, como a suspensão do acordo de Schengen com a Espanha", anunciou a primeira-ministra italiana.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, já havia declarado ser favorável ao fechamento do Espaço Schengen a Espanha. "A decisão do governo de Madrid, de conceder a cidadania espanhola, e, portanto europeia, a mais de 500 mil imigrantes sem documentos incentiva o tráfico de pessoas”, acusou.
O Ministro da Infraestrutura e dos Transportes e também vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita, endossou e escreveu na rede X que seja suspenso o Acordo de Schengen” e que se defenda as fronteiras da Europa.
Em contrapartida, a Espanha e Marrocos atribuíram esta crise em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países e anunciaram um acordo para o repatriamento imediato das pessoas que entraram de modo irregular nos últimos dias na região autônoma espanhola.
O comissário Europeu para o Interior e Migração Magnus Brunner, disse hoje que conversou com o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, a quem transmitiu a disponibilidade da União Europeia para aumentar esta colaboração. Brunner acrescentou ainda que está em contato com as autoridades marroquinas para garantir que todos os esforços necessários são feitos para evitar estas viagens perigosas.
O governador de Ceuta apelou ontem ao governo central espanhol para declarar uma situação de emergência nacional no enclave e o encerramento da fronteira com Marrocos de forma "urgente e inadiável". O ministro da Administração Interna da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, se deslocou nesta sexta-feira a Ceuta, além de terem sido enviados tropas espanholas para garantir a segurança neste território ao largo da costa norte de África.