Trump ameaça atacar o Irã "com muita força" na noite desta quarta (8)
Confrontos entre os EUA e o Irã voltaram a se intensificar no Golfo e no Estreito de Ormuz após Trump declarar fim da trégua
Publicado: 08/07/2026 às 15:52
Presidente dos EUA, Donald Trump (Filip SINGER/POOL/AFP)
Os Estados Unidos vão atacar o Irã "com muita força" nesta noite, advertiu, nesta quarta-feira (8), o presidente Donald Trump, ao declarar encerrada a trégua depois que os confrontos entre os dois países voltaram a se intensificar no Golfo e no estratégico Estreito de Ormuz.
Essa rota marítima, crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos, continua sendo um dos principais focos do conflito, desencadeado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Teerã quer controlar o Estreito de Ormuz por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará navios que não respeitarem os corredores autorizados. Desde junho, a República Islâmica está em negociações com Washington para encontrar uma solução duradoura para o conflito.
Os bombardeios atribuídos ao Irã contra ao menos três embarcações nos últimos dias desencadearam, na terça-feira, uma ofensiva americana contra alvos no Irã, à qual Teerã respondeu atacando países da região do Golfo, aliados de Washington.
"Da minha parte, acabou", declarou Trump nesta quarta-feira, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã continuava em vigor. "É perda de tempo tentar lidar com eles", acrescentou.
"Vou deixar que nossos excelentes negociadores continuem conversando se assim o desejarem, mas eu não acredito. Não gosto dessas pessoas", comentou. Mais tarde, Trump advertiu: "Vamos atacá-los com muita força esta noite".
As declarações do presidente americano impulsionaram os preços do petróleo. O barril do Brent do Mar do Norte para entrega em setembro subiu 8%, para 80,12 dólares (R$ 412,23).
Bombardeios
A agência de notícias iraniana Irib informou nesta quarta-feira sobre várias explosões nos arredores do Estreito de Ormuz, entre elas seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país. Também foram relatadas explosões na cidade portuária de Bushehr, onde se encontra a única usina nuclear civil do país.
A cidade está situada perto da Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã, pela qual transita cerca de 90% das exportações de petróleo do país. A imprensa estatal acrescentou que um membro da Guarda Revolucionária morreu no Sudoeste do Irã.
O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa antiaérea iranianos, instalações de radar costeiro e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.
Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.
A resposta iraniana não tardou. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra dezenas de instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, onde um jornalista da AFP ouviu explosões.
"O fantasma da guerra voltou"
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem "graves" violações do acordo entre ambos os países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano. Washington revogou as isenções que permitiam determinadas vendas de petróleo enquanto continuam as negociações sobre um acordo definitivo para o conflito.
"As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências", declarou a um funcionário americano à AFP.
O Kuwait condenou "os ataques" do Irã e afirmou que eles "comprometem" os esforços de redução das tensões. O Catar, um dos países mediadores entre Irã e Estados Unidos, também pediu que as partes "continuem pelo caminho do diálogo".
Nawal Saad, funcionária do Bahrein, expressou sua angústia após acordar com os alertas antiaéreos. "O fantasma da guerra voltou a pairar sobre nós", lamentou.
Embora o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz tenha começado a se recuperar após o acordo assinado no mês passado, Teerã insiste que não voltará ao sistema anterior, que permitia a livre circulação pelo estreito.
A Organização Marítima Internacional (OMI) informou nesta quarta-feira que cerca de 6 mil marinheiros permanecem bloqueados no Golfo devido ao conflito no Oriente Médio e condenou a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.