Funerárias de Paris, sobrecarregadas após onda de calor recorde
Na França pelo menos 1.000 pessoas morreram no último fim de semana
Publicado: 29/06/2026 às 16:54
Casal se refresca na Fonte do Trocadéro, próximo a Torre Eiffel ( AFP)
As funerárias de Paris registraram, nesta segunda-feira (29), sua capacidade máxima por um aumento de óbitos durante a onda de calor recorde, que deixou pelo menos 1.000 mortos na França ao final da semana passada.
A França viveu na semana passada uma onda de calor com temperaturas superiores a 40ºC durante o dia e um recorde de noite mais quente com média de 22ºC, que chegou a 26,4ºC em Paris. As autoridades não descartam outra onda de calor extrema em meados de julho.
A agência nacional de saúde pública informou, neste domingo, que desde a quarta-feira foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais em comparação com os meses anteriores, mas o balanço pode ser maior.
Oitenta e cinco por cento dos mortos tinham 65 anos ou mais, segundo as autoridades. As maiores altas reportadas foram registradas nas mortes em domicílio, especialmente em Paris e na periferia da capital.
A presidente da Federação Nacional de Funerárias, Élisabeth Charrier, informou, nesta segunda-feira, que a ocupação destas empresas, que costuma oscilar entre 30% e 45% durante o verão, passou de 66% em todo o país.
"A principal dificuldade está em Paris, onde as duas únicas funerárias estão no máximo de sua capacidade desde a sexta-feira passada", o que leva muitos a buscar um local fora da capital, disse Carrier à AFP.
A oposição criticou as autoridades pelo que descreveu como uma falta de preparação para as condições meteorológicas extremas. A líder ambientalista Marine Tondelier apelou a "responsabilidades políticas" pelo "grave custo humano".
No início de uma nova reunião de crise, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu o plano do governo para a onda de calor, afirmando que ele "se saiu bem", e anunciou que os primeiros aparelhos de ar-condicionado, dos 30 mil encomendados para hospitais, começariam a chegar até o final da semana.
No entanto, alertou que o número de pessoas que morreram em casa era "muito maior" do que em ondas de calor anteriores. "Quando os serviços de emergência chegam, infelizmente, as pessoas já morreram", lamentou.
Uma delas era a tia de Thierry Vanwesemael, técnico de manutenção em um lar de idosos. A senhora, de 80 anos, morava no último andar de um prédio em Paris, "sem elevador", contou ele à AFP.
"Em algumas noites, a temperatura chegava a 47 graus em seu apartamento", relatou Vanwesemael. Com apenas "dois ventiladores", ela desejava desesperadamente continuar morando em Paris.
Sem ter recebido notícias dela no sábado e alertado pelos vizinhos, o homem autorizou a entrada dos bombeiros na casa, mas a mulher já havia falecido.
Enquanto aguardava a chegada do serviço funerário, durante várias horas, seu sobrinho e uma amiga colocaram gelo no quarto "para evitar a decomposição do corpo", explicou ele.