Protesto de moradores, obriga militares de participar de resgate após terremotos na Venezuela
Mais de 1400 pessoas morreram e mais de 50 mil seguem desaparecidas
Publicado: 28/06/2026 às 20:24
Equipes de resgate e voluntários trabalham na procurar por sobreviventes e retirada de corpos ( AFP)
Um protesto de moradores obrigou neste domingo (28) um grupo de militares a pegar picaretas e pás e participar da remoção dos escombros de um prédio abandonado, quatro dias após os terremotos na Venezuela que já causaram quase 1.500 mortes.
"O país precisa de vocês. Baixe sua arma, largue as balas", gritado, indignado, um homem a um militar na região de Tanaguarena, no estado de La Guaira, o epicentro da tragédia, constataram jornalistas da AFP.
Dezenas de pessoas que trabalharam nas operações de resgate em um prédio destruído pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira enfrentaram um grupo de cerca de 20 militares que estavam no local apenas fazendo a segurança.
Alexander Mijares, um comerciante de 26 anos que havia ajudado voluntariamente na busca por uma amiga que ficou soterrada naquele local, explicou à AFP a razão de sua explosão de indignação.
“Eles ficaram encostados em uma parede quando nós queríamos retirar uma pessoa que estava morta, e eles ficaram tranquilamente parados em um canto”, relatou ontem.
"Por que não os trouxeram com macacões de trabalho? Por que não os trouxeram com pás e picaretas? Por que os trouxeram com fuzis e armas? Onde está a guerra?", protestou. “Eles existem para defender um país”, acrescentou.
Ao seu lado, um grupo de pessoas também gritou contra os militares. "Meus filhos não serão jogados em uma vala comum", reclamou outro homem em um dos edifícios de Tanaguarena, exasperado com a demora no resgate dos corpos.
Diante do protesto, os militares pegaram as ferramentas e conseguiram remover os escombros.
Os militares foram um setor privilegiado durante os governos de Hugo Chávez (1999–2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro.
Pilar do poder na Venezuela, as Forças Armadas também são vistas como um instrumento de repressão.