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Zelensky propõe a Putin reunião e "cessar-fogo total"

Rússia afirmou que presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, tem as portas abertas "a qualquer momento" para uma reunião em Moscou

AFP

Publicado: 04/06/2026 às 20:37

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky/LUDOVIC MARIN / POOL / AFP

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (LUDOVIC MARIN / POOL / AFP)

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, propôs nesta quinta-feira (4) uma reunião ao seu par russo, Vladimir Putin, em uma carta aberta na qual também oferece um "cessar-fogo total" enquanto são negociados os termos para o fim da guerra.

As negociações para encerrar o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão estagnadas. A Ucrânia ataca regularmente a Rússia e os territórios ocupados por Moscou em represália aos bombardeios russos diários desde o início da ofensiva russa em larga escala, em fevereiro de 2022.

"A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião", escreveu Zelensky na incomum carta. A missiva, publicada no site da presidência ucraniana, marca uma das poucas ocasiões em que Zelensky se dirigiu diretamente a Putin desde a invasão russa de 2022.

Resposta Russa

Kiev está "disposta a um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações", acrescentou, poucas horas antes de Putin fazer um discurso em um importante fórum de investimentos em São Petersburgo, conhecido como o "Davos russo".

Volodimir Zelensky tem as portas abertas para se reunir em Moscou com Vladimir Putin "a qualquer momento", afirmou o Kremlin nesta quinta-feira (4), depois que o presidente ucraniano convidou seu par russo para um encontro cara a cara com o objetivo de negociar o fim da guerra.

"Zelensky pode vir a Moscou a qualquer momento", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo declarações citadas pela mídia estatal russa, acrescentando que Putin ainda não havia visto a carta na qual o mandatário ucraniano o convida.

Moscou exige de Kiev concessões políticas e territoriais, em particular uma retirada completa da região de Donetsk, que faz parte do Donbass. O governo ucraniano se recusa a aceitar essas condições por considerá-las uma capitulação.

Um acordo não excluiria, segundo Putin, que Moscou controle completamente o Donbass, bacia mineradora no leste da Ucrânia que atualmente está parcialmente sob controle russo. "Uma coisa não exclui a outra", afirmou aos jornalistas.

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (3) que "nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo".

 

Mediação dos EUA

Donald Trump voltou à Casa Branca afirmando que encerraria a guerra rapidamente, mas desde a eclosão de um conflito no Oriente Médio após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, passou a ter outra frente de crise aberta.

"Está claro que a administração americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro", avaliou Putin nesta quinta-feira.

No terreno, os combates continuam. O líder russo assegurou que as tropas de Moscou avançam "em toda a linha de frente".

Uma análise da AFP dos dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) mostra, no entanto, que a Ucrânia recuperou dos russos cerca de 282 km² em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área de seu território controlada por Moscou.

Do fim de 2023 até alguns meses atrás, os russos vinham ganhando terreno. Ainda assim, apesar do recuo das forças de Moscou, há militares russos infiltrados na maioria das áreas onde a Ucrânia recuperou território.


Reforçar a defesa antiaérea

"A Rússia tem um sistema de defesa antiaérea. Sim, precisamos melhorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso", afirmou um dia após um ataque de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.

Putin não descartou ampliar o uso do míssil balístico hipersônico russo Oreshnik para atingir cidades ucranianas. O líder russo repetiu que esse míssil, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares.

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