Rússia diz que está aberta a negociações com a Europa sobre a guerra na Ucrânia
Enquanto Kremlin cobra protagonismo de Bruxelas no desenho da segurança continental, UE reforça apoio a Kiev diante de ameaças de novos bombardeios
Publicado: 27/05/2026 às 21:37
Presidente da Rússia, Vladimir Putin ( MAXIM SHIPENKOV / POOL / AFP)
Segundo declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a uma entrevista ao portal Izvestia e citada pela agência de notícias estatal russa RIA Novosti, uma negociação entre Moscou e Bruxelas vai ter mesmo de acontecer no futuro, já que discutir o futuro da arquitetura de segurança da Europa sem a intervenção de outros países é impossível. “Levamos isto muito a sério. Está em jogo o futuro da arquitetura da Europa, pelo que os outros países do continente não podem ser deixados de fora da discussão. Por isso mesmo, serão necessárias negociações, de uma maneira ou de outra”, afirmou.
Diversos nomes europeus já foram levantados para uma tratativa em uma possível nova fase da guerra na Ucrânia, como Angela Merkel, Mario Draghi e António Costa.
Porém, Peskov não mencionou nenhum detalhe sobre esse ponto, apesar do próprio presidente russo Vladimir Putin já ter apontado o nome de Gerhard Schröder, ex- chanceler da Alemanha, como uma boa escolha para o lado europeu. No entanto, a Europa rejeitou rápida e completamente a sugestão, até porque Schröder é tido como uma figura muito próxima de Putin.
Mas Moscou considera um desenvolvimento positivo a discussão na Europa sobre potenciais candidatos a negociadores com a Rússia. “Até agora ainda ninguém foi nomeado pela Europa. De fato, o que é positivo é que eles estão dizendo que é necessário alguém para liderar as negociações. Eles próprios precisam perceber que as negociações vão ser necessárias”, acrescentou o porta-voz.
Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen disse que conversou com o presidente ucraniano, a quem reiterou o total apoio do bloco à Kiev, num momento em que a Rússia ameaçou recentemente escalar a guerra e que intensificaria os ataques a Kiev, recomendando até a evacuação dos funcionários das embaixadas e a saída de estrangeiros da capital ucraniana.
Por sua vez, o Papa Leão 14 criticou nesta quarta-feira (27) aquilo a que chamou uma "forte intensificação" da guerra na Ucrânia e manifestou solidariedade para com os civis mortos nos ataques mais recentes. "Estou a acompanhar com preocupação a guerra na Ucrânia. A guerra não resolve problemas, mas agrava-os. Não promove segurança, mas multiplica sofrimento e ódio. Onde caem mísseis e drones também caem esperanças, casas e locais de culto, e vidas inocentes são destruídas", declarou.