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Israel e Hezbollah trocam ataques apesar da trégua anunciada por Trump

Negociações em Washington seguem em meio à escalada militar no sul do Líbano

Isabel Alvarez

Publicado: 02/06/2026 às 18:13

 A picture taken along the Israel-Lebanon border shows rockets being fired from southern Lebanon towards Israel on March 3, 2026. Israel on March 3, ordered the military to take control of more positions inside Lebanon to create a buffer zone, as the Lebanese army pulled back some of its forces after Hezbollah attacked Israeli bases in support of its backer, Iran. Lebanon was drawn into the regional war a day earlier after an initial rocket attack on Israel by Hezbollah, which said it wanted to "avenge" the killing of Iranian supreme leader Ayatollah Ali Khamenei during the US-Israeli strikes. (Photo by Jalaa MAREY / AFP)
      Caption/ AFP

A picture taken along the Israel-Lebanon border shows rockets being fired from southern Lebanon towards Israel on March 3, 2026. Israel on March 3, ordered the military to take control of more positions inside Lebanon to create a buffer zone, as the Lebanese army pulled back some of its forces after Hezbollah attacked Israeli bases in support of its backer, Iran. Lebanon was drawn into the regional war a day earlier after an initial rocket attack on Israel by Hezbollah, which said it wanted to "avenge" the killing of Iranian supreme leader Ayatollah Ali Khamenei during the US-Israeli strikes. (Photo by Jalaa MAREY / AFP) Caption ( AFP)

Segundo a agência oficial de notícias libanesa (NNA), as forças israelenses e o grupo xiita libanês Hezbollah continuaram hoje os confrontos no sul do Líbano, apesar das garantias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que tinha obtido um compromisso de uma trégua de ambos os lados.

“O exército israelense atacou cerca de 20 locais no sul do Líbano. As tropas de Israel lançaram uma série de ataques contra a cidade libanesa de Nabatieh e outras cidades vizinhas, região onde intensificou a sua ofensiva nos últimos dias, tendo cruzado o rio Litani, que era a anterior demarcação das operações militares no sul do Líbano”, relatou a NNA.

As forças israelenses inclusive estão a poucos quilômetros a sul de Nabatieh, após terem tomado no domingo a fortaleza medieval de Beaufort, também do lado norte do rio Litani.

Por outro lado, o Hezbollah reivindicou vários ataques contra os militares israelenses que ocupam parte do sul do Líbano, mas não mencionou qualquer ofensiva contra o norte de Israel, enquanto o governo de Tel Aviv afirma que foram interceptados dois projéteis.

O canal Al Manar, do Hezbollah, noticiou nesta terça-feira que o grupo militante recebeu duas propostas de cessar-fogo dos EUA para pôr fim aos combates com Israel e admitiu que está sendo discutida a proposta apresentada pelo presidente Trump, embora insista que esta deve implicar um cessar-fogo total e inclusivo. "Não aceitaremos qualquer acordo parcial de cessar-fogo. O inimigo sionista deve saber que qualquer agressão contra os subúrbios do sul de Beirute poderá provocar uma resposta mais forte por parte do Hezbollah”, avisou Mahmoud Qomati, um alto membro do grupo.

Já o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que os Estados Unidos validaram o princípio segundo o qual Israel atacará os subúrbios do sul da capital libanesa, bastião do Hezbollah, caso o grupo vise o território israelense.

Por sua vez, uma nova reunião de negociações entre responsáveis israelenses e libaneses começou hoje na capital norte-americana, com a mediação dos EUA. As discussões em curso decorrem num contexto de ofensivas contínuas entre Israel e o Hezbollah e da ameaça de escalada por parte do governo de Benjamin Netanyahu. A série de ataques ameaça comprometer e colocar em risco as negociações entre os EUA e o Irã, que chegou a suspendê-las caso o cessar-fogo no Líbano continuasse a ser sistematicamente violado e não integrasse o seu acordo de paz com as autoridades dos EUA. Mas, Trump negou Trump, negou que tenha havido um interrupção das negociações com Teerã devido à ofensiva israelense no Líbano e indicou que as conversações permanecem.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, apoiou à retomada das negociações em Washington, manifestando que as conversações são um caminho para o regresso dos civis às suas casas, após as ordens de evacuação de Israel terem levado centenas de milhares de pessoas a fugir do sul do Líbano, antecipando-se aos ataques israelenses. "O que continua sendo necessário é consolidar o cessar-fogo em todo o Líbano. Reitero que as negociações são a opção menos onerosa para o Líbano e para os libaneses", escreveu Salam na rede social X.

O governo do Líbano não é aliado do Hezbollah, não participa militarmente do conflito e defende o desarmamento do grupo. No entanto, ao mesmo tempo, quer que Israel desocupe o território libanês e seja firmado um acordo nos moldes do armistício de 1949, com os dois países respeitando as respectivas fronteiras.

Irã exige ação da ONU contra Israel

O Irã acusou o Conselho de Segurança da ONU de falhar na responsabilização de Israel e exigiu a adoção de medidas punitivas e vinculativas contra o país. O vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, garantiu que a crise no Oriente Médio resulta dos crimes e da impunidade de Israel e considerou insuficientes as condenações internacionais. "O Conselho de Segurança deve ir além de expressar preocupação e emitir apelos gerais, e adotar decisões punitivas e vinculativas contra o regime sionista. O direito internacional não é defendido através de condenações de baixo custo e ineficazes", apontou

Gharibabadi acusou ainda os EUA de terem um papel direto na gestão das ações israelenses, em alusão alegação de Trump de ter dissuadido Netanyahu de lançar um grande ataque a Beirute. "Se a decisão de atacar a capital de um Estado independente pode ser alterada com um único telefonema, a questão principal é: por que razão meses de violações do cessar-fogo, agressões contra o Líbano, a deslocação da sua população e ameaças à soberania deste país, apoiadas pelo apoio político e militar ocidental, continuaram inabaláveis", contestou.

 

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