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Israel afirma que controla atualmente 60% da Faixa de Gaza

Em meio a racha na coalizão e novas eleições, Netanyahu exalta ações do exército no enclave

Isabel Alvarez

Publicado: 15/05/2026 às 21:36

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu/ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que as forças israelenses controlam agora 60% da Faixa de Gaza, divulgou o seu gabinete de imprensa nesta sexta-feira (15). Esta é a primeira confirmação oficial do governo de Israel na expansão da área ocupada do enclave palestino, após a operação militar contra o Hamas, que durou dois anos e teve um cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025.

"Nos últimos dois anos, mostramos ao mundo a força que reside no nosso povo, no nosso Estado, no nosso exército, na nossa herança. Trouxemos para casa todos os nossos reféns. Não cedemos nenhum território. Alguns nos disseram para sair, não saímos, e hoje controlamos 60% do território. Amanhã, veremos", disse Netanyahu.

As declarações do premiê acontecem dias antes da dissolução do parlamento israelense, o Knesset, depois também da dissolução da coligação que sustentava o governo de Netanyahu. Analistas internacionais avaliam que suas palavras já podem ser consideradas um discurso de pré-campanha do líder do partido Likud, que busca a reeleição. A dissolução do Knesset permite a Netanyahu tentar uma nova maioria não dependente do apoio dos ortodoxos. Já as eleições estão previstas de ocorrer entre agosto e outubro.

Por sua vez, Netanyahu foi acusado pelo partido que representa as comunidades judaicas ortodoxas de faltar à promessa de tornar lei à proibição dos estudantes religiosos ortodoxos de serem convocados para o serviço militar obrigatório. O Supremo Tribunal de Israel decretou no final de 2025 que estes jovens teriam de cumprir a obrigação militar, tal como todos os outros cidadãos do país.

Situação em Gaza

A reivindicação de sucesso e vitória de Netanyahu dificilmente se reflete no domínio e cenário real de Israel em Gaza para além da situação catastrófica em que se encontra ainda a população do enclave. O território continua sendo palco de violência diária apesar das tréguas declaradas, enquanto as forças israelenses e o Hamas se acusam mutuamente de violação do cessar-fogo. Desde outubro de 2025, o exército israelense comunicou a morte de cinco dos seus soldados em Gaza.

Enquanto o número total de palestinos mortos subiu para quase 73 mil desde o início da guerra, em outubro de 2023, pois apesar do plano de cessar-fogo mediado pelos EUA, Egito, Catar e Turquia ter entrado oficialmente em vigor em 10 de outubro de 2025, as autoridades sanitárias locais afirmam que mais de 850 pessoas já foram mortas em ataques aéreos e confrontos que continuam a ocorrer em todo o território desde a sua implementação.

Hoje mesmo, em Jabalia, no norte de Gaza, foram sepultados dois palestinos mortos num ataque israelense a um velório. O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, informou que aviões de combate atacaram um grupo de civis que participavam na cerimônia de luto, ferindo várias outras pessoas.

Também fontes médicas em Gaza indicaram que pelo menos quatro palestinos morreram em bombardeios israelenses distintos em todo o enclave na última quarta-feira (13), incluindo um homem em Jabalia e outro civil atingido a tiro perto de uma clínica das Nações Unidas. Três crianças ficaram ainda feridas perto da cidade de Khan Younis, no sul, quando, segundo as mesmas fontes, recolhiam lenha.

Acordo faseado

A primeira fase das tréguas contemplou a libertação dos últimos reféns em Gaza sequestrados pelo grupo terrorista, em troca de palestinos que estavam detidos por Israel, retorno dos civis palestinos aos seus lares e a entrada massiva de ajuda humanitária, fato que até agora ainda sofre com restrições e bloqueio. A transição para a segunda fase, que deveria envolver o desarmamento do Hamas, cumprimento da fase anterior exigindo conversas complexas sobre os detalhes de encerramento do conflito e uma retirada gradual do exército israelense do enclave, está totalmente paralisado há semanas.

Os termos do cessar-fogo estabeleceram que as tropas israelenses se retirassem para além da "Linha Amarela", nome dado à linha de demarcação entre a área controlada pelo Hamas e a controlada pelo exército israelense, que ainda representa pouco mais de 50% de Gaza. Já os relatos da imprensa das últimas semanas indicam que as Forças de Defesa de Israel estão alargando esta zona para uma nova chamada "Linha Laranja", que estariam prontas para retomar os combates caso o Hamas se recuse a depor as armas.

E a terceira fase nem tem previsão de quando poderá acontecer, no qual abrange o plano de reconstrução do território destruído, cerca de 90%, a paz duradoura e a governança da região, com a definição política sobre o comando administrativo permanente ou de transição.

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