Negociações em curso para acordo de paz entre Israel e Líbano são consideradas positivas
Os representantes israelenses e libaneses reiniciaram nesta sexta-feira (15) as conversações na capital dos Estados Unidos
Publicado: 15/05/2026 às 16:36
Líbano (IBRAHIM AMRO / AFP)
Segundo publicação da agência de notícias France-Presse (AFP), que cita um alto responsável do Departamento de Estado norte-americano, a retomada das negociações sobre um acordo de paz entre Israel e o Líbano, que começaram na quinta-feira (14), em Washington, foram positivas e continuam hoje. "Tivemos um dia inteiro de discussões produtivas e positivas”, adiantou a fonte.
Os representantes israelenses e libaneses reiniciaram nesta sexta-feira (15) as conversações na capital dos Estados Unidos, poucos dias antes de expirar o fim da trégua entre as partes.
O encontro, mediado pelos Estados Unidos e com duração prevista de dois dias, decorre no Departamento de Estado norte-americano, com os embaixadores dos EUA em Israel e no Líbano, Mike Huckabee e Michel Issa, respectivamente, que atuam como intermediários entre os dois países, uma vez que ambos não mantêm relações diplomáticas. O Líbano é representado pelo diplomata e advogado Simon Karam, enquanto Israel participa através do embaixador Yechiel Leiter, aliado próximo do premiê Benjamin Netanyahu.
Já o cessar-fogo, inicialmente acordado em abril e prolongado até o próximo domingo, não impediu ataques mútuos e constantes das forças israelenses e do grupo xiita libanês Hezbollah, que é apoiado pelo Irã, que trocam acusações de violações da trégua. Aliás, desde a sua entrada em vigor, em 17 de abril, cerca de 400 pessoas morreram em ataques israelenses no Líbano, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.
Inclusive Israel até intensificou ontem os bombardeios no sul do Líbano contra alvos do Hezbollah, horas antes do começo das negociações. A ofensiva ocorreu em meio ao frágil cessar-fogo e incluiu ainda um ataque em uma rodovia próxima a Beirute, escalando a tensão local.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também reafirmou na semana passada que continuará atacando o Hezbollah. Por outro lado, o grupo xiita reforçou ontem a oposição às negociações que ocorrem nos EUA e ameaçou transformar o conflito com o exército israelense num inferno.
Enquanto isso, em Washington, as autoridades do governo libanês buscam garantir uma consolidação do cessar-fogo, num conflito que nem mesmo participam militarmente.
Em paralelo, Teerã exige nas negociações indiretas com os norte-americanos que qualquer entendimento regional inclua também o Líbano e obrigue Israel a cessar os ataques contra o Hezbollah. Mas, a Casa Branca, por sua vez, insiste no desarmamento do movimento xiita e no reforço da autoridade do Estado libanês. Washington considera ainda que um acordo de paz definitivo deva representar uma ruptura completa com a estratégia seguida nas últimas duas décadas, acusando o Hezbollah de ter enfraquecido o Estado libanês e ameaçado a segurança da fronteira norte de Israel.