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Papa reitera os apelos à paz do mundo

Em visita à Argélia, o Papa Leão XIV voltou a apelar pela paz mundial

Isabel Alvarez

Publicado: 14/04/2026 às 17:45

O Papa Leão XIV preside uma missa na basílica de Santo Agostinho em Annaba, no segundo dia de uma viagem apostólica de 11 dias à África, em 14 de abril de 2026./ AFP

O Papa Leão XIV preside uma missa na basílica de Santo Agostinho em Annaba, no segundo dia de uma viagem apostólica de 11 dias à África, em 14 de abril de 2026. ( AFP)

Em visita à Argélia, o Papa Leão XIV voltou a apelar pela paz mundial e disse que o coração de Deus está dilacerado pelas guerras, pela violência, pela injustiça e pela mentira.

“Mas o coração do nosso Pai não está com os ímpios, com os prepotentes, com os soberbos: o coração de Deus está com os humildes e os simples, e com eles faz avançar o seu Reino de amor e de paz, dia após dia”, afirmou Leão XIV.

Sobre o uso do poder a nível global, o Líder da Igreja Católica defendeu que o conceito de poder legítimo encontra uma das expressões mais elevadas na democracia autêntica. “Longe de ser um mero procedimento, a democracia reconhece a dignidade de cada pessoa, mas só é se mantém sólida quando assenta na lei moral e numa verdadeira visão da pessoa humana”, afirmou.

A declaração do pontífice foi interpretada como uma nova reação às duras críticas já feitas pelo presidente dos Estados Unidos a Leão XIV. O Papa também recentemente se mostrou muito alarmado com o anúncio do líder norte-americano que eliminaria a civilização inteira do Irã, classificando-as como inaceitáveis. “Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’”, disse, citando uma passagem bíblica.

Porém, após o Papa declarar que Deus não abençoa nenhum conflito e afirmar que quem é discípulo de Cristo nunca se coloca ao lado daqueles que ontem empunhavam a espada e hoje lançam bombas, Donald Trump o acusou de ser fraco e péssimo em política externa e que só tinha se tornado Papa porque era norte-americano e ele, Trump, era o presidente do país.

Ao ser questionado por esses comentários, o Papa respondeu que não tinha receio do presidente dos EUA.

Trump chegou também a publicar no domingo uma imagem gerada por IA em sua rede social Truth Social que parecia retratá-lo como Jesus Cristo, na qual se mostrava com uma túnica branca e um manto vermelho, tocando a testa de um homem que parecia doente e irradiando luz sobre sua cabeça. Isto em meio a uma bandeira americana, que aparecia ao fundo, e entre águias e soldados no céu, além da Estátua da Liberdade e de várias pessoas que o miravam com reverência. A imagem causou uma onda de críticas de líderes e religiosos pelo mundo que o acusaram de blasfêmia, inclusive dos seus apoiadores e membros do movimento Maga (Make America Great Again). Depois da repercussão, o post foi apagado na segunda-feira e o presidente alegou que se representou como um médico e que tinha a ver com a Cruz Vermelha.

Entretanto em uma entrevista hoje ao jornal italiano Corriere della Sera, Trump insistiu que Leão XIV não compreende o que se passa no Irã e dirigiu, além disso, fortes criticas à primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni, que defendeu o Papa, considerando as declarações ao chefe do Vaticano como inaceitáveis.

“Ela já não é a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país. Ela é que é inaceitável, porque não se importa que o Irã tenha uma arma nuclear e faça explodir a Itália em dois minutos se tiver oportunidade. As pessoas gostam do fato da sua presidente não estar fazendo nada para obter o petróleo? Ela gosta disso? Não consigo imaginar. Estou chocado com ela. Pensei que ela tinha coragem, mas estava enganado. Porque ela não quer nos ajudar com a OTAN, não quer nos ajudar a nos livrarmos das armas nucleares. Ela é muito diferente do que eu pensava” citou a mídia.

O presidente norte-americano acrescentou ainda que não conversa com Meloni há muito tempo. Já a mudança de opinião de Trump sobre Meloni surge após uma entrevista anterior ao Corriere della Sera, há um mês, na qual a descreveu como uma amiga e uma aliada.

Por outro lado, a líder do Partido Democrático (PD), da oposição italiana de centro- esquerda, Elly Schlein, manifestou hoje apoio a Meloni, da direita conservadora e nacionalista, após as criticas de Trump. "Condenamos veementemente o ataque do presidente Donald Trump à primeira-ministra Meloni por expressar, com toda a razão, solidariedade com o Papa Leão XIV. Somos adversários nesta Câmara, mas somos todos cidadãos italianos e não aceitaremos ataques ou ameaças ao Governo e ao nosso país", declarou Schlei.

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