Beto Lago: "Sport vai no 'all in' para jogo contra o Cuiabá"
O Leão da Ilha enfrenta o Cuiabá no próximo sábado (21), pela primeira rodada da Série B
Publicado: 19/03/2026 às 07:59
Roger Silva, técnico do Sport (Paulo Paiva/ Sport)
All in
A diretoria do Sport decidiu dobrar a aposta em Roger Silva. Pelo menos até a estreia no Brasileiro da Série B, neste sábado, contra o Cuiabá. É um movimento típico de quem empurra todas as fichas para o centro da mesa: um “all in” sustentado mais pela esperança do que por evidências concretas dentro de campo. Os números, à primeira vista, oferecem um verniz de estabilidade. Roger chegou a engatar uma sequência de 10 jogos sem conhecer derrota, que veio justamente na partida contra o Athletic. Números que, isoladamente, poderiam sugerir consistência da equipe leonina. Mas o futebol não se explica em planilha. A frieza dos dados não resiste a 90 minutos de observação mais atenta. O que se vê é um time sem identidade. Não há um modelo de jogo reconhecível, não há padrões claros de construção ofensiva, tampouco mecanismos defensivos confiáveis. A equipe oscila entre a desorganização e a previsibilidade, muitas vezes refém de lampejos individuais que não se sustentam ao longo da partida. As escolhas do treinador também pesam e muito. A insistência em determinados nomes no time titular, mesmo sem entrega ou rendimento compatível, contrasta com a pouca utilização de outras peças que poderiam oferecer alternativas e seguem no banco de reservas. Falta critério, sobra teimosia. E há o fator mais sensível de todos: o torcedor. A eliminação na Copa do Brasil, dentro da Ilha do Retiro, não foi apenas um resultado negativo. Foi um ponto de ruptura. A paciência, que já vinha curta, praticamente se esgotou. O ambiente, hoje, é de desconfiança. Bancar Roger Silva neste momento é mais do que uma escolha técnica. É uma decisão política e de risco. Porque, se o desempenho não mudar rapidamente, o custo desse “all in” pode ser alto e cobrado com juros pela arquibancada.
A presença de Ítalo Rodrigues ao lado de Roger Silva na coletiva pós-jogo levanta mais dúvidas do que esclarecimentos. E as dúvidas são incômodas. Afinal, o que aquilo representou de fato? Um gesto claro de confiança da diretoria no trabalho do treinador ou a necessidade de escalar um executivo para conter danos, evitando que o discurso descambasse diante da pressão?
A mensagem que foi passada
Porque, no futebol, forma também comunica – que Roger faz muito mal, por sinal. E quando um dirigente se coloca ao lado do técnico nesse tipo de cenário, a mensagem que passa está longe de ser neutra. Ou se banca publicamente um trabalho que mostra sinais concretos de evolução, o que não é o caso, ou se admite, ainda que indiretamente, que a situação saiu do controle. No fim, a imagem diz mais do que a própria coletiva.
A liberação do Arruda
A liberação do Arruda para receber, ao menos, 12 mil torcedores na estreia da Série C soa como um alívio. Porque o ponto central não é apenas “ter público”. É ter casa. E jogar na Arena de Pernambuco nunca foi isso para o torcedor coral. O peso do mando de campo, no Brasileiro, é fator competitivo. E o Santa Cruz já parte em desvantagem quando precisa abrir mão da sua essência para cumprir tabela em outro estádio.