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COLUNA BETO LAGO

Beto Lago: "E era assim um clássico decisivo..."

Sport e Náutico se enfrentam pela 21ª vez em uma final

Beto Lago

Publicado: 27/02/2026 às 08:03

Felipinho e Yuri Silva, laterais-esquerdos de Sport e Náutico, respectivamente/Paulo Paiva/Sport e Rafael Vieira/CNC

Felipinho e Yuri Silva, laterais-esquerdos de Sport e Náutico, respectivamente (Paulo Paiva/Sport e Rafael Vieira/CNC)

Era assim...
Domingo começa mais uma decisão do Pernambucano, com o primeiro duelo entre Sport e Náutico na Ilha do Retiro. Será a 21° decisão dos dois times, com retrospecto favorável ao Leão (13x7). Os números contam parte da história. A outra parte mora na memória de quem viveu e sentiu o que já foi uma final por aqui. Ontem, quando comecei a escrever esta coluna, me peguei lembrando de como a cidade respirava um clássico, uma final de campeonato. Não importava quem do Trio de Ferro estava em campo. O Recife mudava de ritmo. Bares, restaurantes, esquinas, colégios, repartições: tudo girava em torno do jogo. Sem rede social, sem “breaking news” no celular. Era o rádio quem pulsava. As resenhas da tarde e noite eram quase sagradas. O torcedor esperava a escalação como quem aguarda resultado de exame. Os jornais do dia seguinte vinham com manchetes fortes, fotos abertas, análises profundas. Repórter acompanhava treino, conversava com jogador, dirigente, massagista, roupeiro. Havia informação e havia convivência. O futebol era mais próximo, mais humano. No domingo, então, era um ritual. Jogo às 16h, mas o encontro começava no almoço. A “tribo” reunida, a bandeira no carro, o radinho na mão. Alvirrubro dava carona ao rubro-negro. Todo mundo junto, chegando no estádio. Provocação? Claro. Gozação? Sempre. Violência? Não. O clássico era guerra simbólica, não campo de batalha real.

A festa nas preliminares
Ao chegar no estádio havia sempre uma preliminar. E, não raro, ela carregava peso: podia ser a decisão de um turno, uma final do juvenil ou dos juniores. Era mais do que aquecimento. Era o primeiro capítulo da tensão. Um aperitivo que já incendiava as arquibancadas e fazia as duas torcidas entrarem em campo muito antes dos profissionais. O estádio, dividido ao meio, virava um mosaico de cores e provocações. Bandeiras tremulando, cantos atravessando o concreto, rivalidade pulsando em cada lance. A festa começava cedo e ninguém ficava indiferente.

O mundo da bola é diferente
Vem a decisão e os desfiles de craques. Jogadores que entendiam o peso daquela camisa e daquela decisão. Ao fim, vinha o sarro, a fuga estratégica do derrotado, a semana inteira de resenha. Tudo parte do jogo. Sem briga. Sem violência. Hoje, muita coisa mudou. A informação ficou mais rápida, mas também mais rasa. A opinião virou sentença. O “jogar contra” ganhou espaço demais, inclusive dentro do próprio clube. A final começa dias antes, nas "timelines" inflamadas, nas narrativas prontas, na caça a culpados antecipados.

Apenas parte da resenha
Mas, a final começa domingo na Ilha do Retiro. É bola rolando. É Sport e Náutico escrevendo o 21º capítulo de uma rivalidade que ajudou a construir o futebol pernambucano. Que seja um palco de festa. De provocação inteligente. De estádio cheio e vibrante. E, principalmente, que a gente volte a entender que clássico se ganha no campo e se perde com dignidade. O resto sempre foi, e precisa continuar sendo, apenas parte da resenha.

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