Beto Lago: "1987 acabou e o que persiste é a tentativa de transformar inconformismo em argumento jurídico"
Na última quinta-feira (20), o Flamengo moveu uma ação para reconhecimento do título brasileiro de 1987 junto ao Sport
Publicado: 20/02/2026 às 08:06
Título Brasileiro 1987 do Sport (Divulgação/Sport)
87 não acabou?
O interminável desejo do Flamengo em ser declarado também campeão brasileiro de 1987 ao lado do Sport voltou à pauta, agora com parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviado ao STF. A ação movida pelo clube carioca mostra o desejo maluco em querer reacender uma polêmica que o futebol brasileiro já definiu há décadas. O título daquele ano foi reconhecido oficialmente pela CBF como pertencente ao Sport, após decisões reiteradas na Justiça comum e desportiva. O Supremo já se debruçou sobre o tema. Sempre a favor do Leão. Ainda assim, o Flamengo insiste em reabrir uma disputa que, juridicamente, tem posição consolidada. É legítimo que um clube defenda sua versão histórica. O que soa desproporcional é transformar um impasse político-esportivo dos anos 80 em uma cruzada institucional quarenta anos depois. Ao insistir numa revisão que ignora decisões transitadas e o reconhecimento formal da entidade máxima do futebol nacional, o Flamengo e o procurador não fortalecem a história do clube, ao contrário, passa a impressão de que seus incontáveis títulos e conquistas não bastam. A “maior torcida do País” não precisa de carimbo extra para sustentar sua grandeza. O que alimenta a rivalidade histórica com o Sport não é apenas 1987, mas a insistência em reescrevê-lo à força de pareceres. Futebol se constrói com memória, mas também com respeito às decisões tomadas. Do contrário, todo campeonato vira provisório, e toda taça, contestável. O apito final de 1987 já soou faz tempo e não está mais pendente. Está encerrado no gramado, na justiça e na história. Só a vaidade que deseja continuar em campo.
Fim de semana de decisão no Estadual. No sábado, na Ilha, o favoritismo é do Sport, que joga pelo empate diante do Retrô. Mesmo com atuação fraca no primeiro confronto, a tendência é de um Leão mais alinhado com a ideia de Roger Silva, que precisa, enfim, colocar em campo o time que imagina para a temporada. Do outro lado, Jamesson Andrade ainda deve uma alternativa que não apareceu até agora. Faltou repertório, peças ou tempo?
Tranquilidade x cobertor curto
No domingo, nos Aflitos, o Náutico chega mais sereno. Desde o início do campeonato, tem modelo claro e convicção no que faz, além da vantagem do empate. A oscilação recente acende alerta, mas Hélio dos Anjos e Guilherme contam com peças para decidir. Já o Santa Cruz precisa reinventar um elenco com “cobertor curto” e desequilibrado em setores-chave. Missão pesada para Fábio Cortez.
Tabus para quebrar
Além disso, para superar o Náutico, o Santa Cruz tem que fazer mais do que jogar bola: precisa derrubar fantasmas. São cinco clássicos consecutivos terminando com derrota para os dois rivais da Capital. Já são 10 jogos sem que o Tricolor vença o Timbu. E mais: nos Aflitos, o Tricolor não vence desde 2013. Antes, tinha vencido o time alvirrubro como mandante, em 2017, mas na Arena de Pernambuco. Se quiser mudar o rumo do clássico, o Santa terá que quebrar correntes que já se arrastam há tempo demais.