Convocação de Neymar: Ancelotti e os desafios entre lesões e polêmicas antes da Copa 2026
A discussão sobre convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 gira em torno da ida de Neymar
Publicado: 16/05/2026 às 06:00
A decisão de Ancelotti: lesões e polêmicas deixam convocação de Neymar mais difícil. (Foto: Adrian DENNIS / AFP | Rafael Ribeiro/CBF)
Entre a eliminação da Seleção Brasileira para a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, e o anúncio dos 26 convocados que vão representar o Brasil no Mundial de 2026 — marcado para a próxima segunda-feira (18) — foram 1.256 dias de espera. Desse intervalo, porém, Neymar, a principal estrela da Amarelinha, passou cerca de 65% do tempo fora de combate devido a uma sequência de lesões.
Este é o retrato do momento atual da carreira de Neymar. De incontestável, sua presença nas convocações começou a ser questionada e descartada. A decadência caminhou junto com sua saída do Paris Saint-Germain para o Al-Hilal e, posteriormente, a ida para o Santos — que parecia ser uma luz no fim do túnel, mas também se transformou em decepção.
Antes, o argumento na hora de montar a Seleção Brasileira ideal era: "Quem serão os dez que jogam ao lado de Neymar?". O questionamento atual, por outro lado, foca em quem assume o protagonismo na ausência do camisa 10.
A presença de Neymar vira o centro das discussões e torna a escolha de Ancelotti, a ser anunciada nesta segunda, ainda mais esperada.
MAIS TEMPO LESIONADO QUE ATUANDO: O CICLO DE NEYMAR NA COPA
Após se lesionar no início da Copa e, mesmo assim, retornar para marcar um gol de gênio contra a Croácia — que seria o da classificação do Brasil antes da trágica eliminação nos pênaltis —, a trajetória de Neymar entrou em declínio físico.
A mudança de narrativa não aconteceu de uma hora para outra. De acordo com dados da plataforma Transfermarkt, somando os períodos de ausência por PSG, Al-Hilal e Santos durante o ciclo entre as Copas, Neymar acumulou 817 dias no departamento médico.
O casamento com o PSG — que começou como uma grande promessa quando o clube francês pagou o recorde de 222 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão na cotação atual) — chegou ao fim em agosto de 2023, com sua transferência para o Al-Hilal, da Arábia Saudita.
Foi pelo clube saudita que veio a sua contusão mais grave, justamente em uma partida da Seleção pelas Eliminatórias contra o Uruguai, em outubro de 2023: uma ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco do joelho esquerdo. Neymar precisou de 340 dias para retornar aos gramados.
O episódio selou, precocemente, o fim de sua passagem pelo Al-Hilal. Ele até chegou a atuar sob o comando de Jorge Jesus, mas novas contusões minaram sua minutagem.
Em busca de reestruturar a carreira visando o Mundial de 2026, o camisa 10 voltou para o Santos, clube que o revelou, em janeiro de 2025. A chegada mexeu com o país: o Brasil esperava reencontrar o craque que encantou o mundo nos gramados brasileiros entre 2010 e 2014, mas a realidade foi distinta. O Santos, desestruturado, não forneceu a base necessária e, paralelamente, o comprometimento de Neymar era questionado.
Dentro de campo, a dificuldade em ganhar ritmo era evidente. Fora dele, as polêmicas persistiam. Após sentir a coxa em um jogo do Paulistão de 2025, o craque foi visto no Carnaval da Sapucaí enquanto o Peixe se preparava para a fase decisiva do torneio. Era o "déjà vu" de uma história antiga, mas que, desta vez, ficava marcada por mais baixos que altos.
No início do campeonato, o Alvinegro era apontado como um dos favoritos ao lado de Palmeiras e Flamengo pelo "fator Neymar". Na temporada de 2025, entretanto, o Santos lutou contra o rebaixamento até as últimas rodadas.
Para salvar o clube de um segundo descenso seguido, o camisa 10 jogou no sacrifício contra Sport, Juventude e Cruzeiro. O saldo foi positivo — quatro gols e uma assistência em três jogos — e o Peixe se salvou. No entanto, o custo físico foi alto: uma nova operação no joelho o afastou por cerca de dois meses entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Neste período, o isolamento na Seleção ficou claro. Carlo Ancelotti não convocou o camisa 10 para nenhuma partida, fosse pelas Eliminatórias ou amistosos. Agora, no início deste ano, o craque do Santos voltou a acumular polêmicas, colocando em xeque sua presença na lista final da próxima segunda-feira.
Ao se ver cada vez mais distante da Seleção Brasileira — especialmente após ficar de fora dos amistosos contra França e Croácia, os últimos compromissos antes da Copa — Neymar começou a sentir a pressão. A possibilidade de não ir ao Mundial tornou-se real.
O resultado foi visto dentro e fora de campo. O camisa 10 acumulou atuações "comuns" para sua capacidade e novos entreveros: Neymar discutiu com árbitros, torcedores e chegou a agredir o companheiro de equipe Robinho Jr., de 18 anos, durante um treinamento no Santos.
Todos estes fatores criam uma ansiedade inédita para o anúncio de Carlo Ancelotti no dia 18 de maio. Se, por um lado, o treinador italiano tem inúmeros motivos para não chamá-lo, por outro, líderes do elenco como Casemiro, Raphinha e João Pedro defendem publicamente a convocação do craque.
O técnico já deixou claro que a escolha é complexa.
"Obviamente, para mim, é uma decisão não tão simples. Tenho que avaliar bem os prós e os contras. Mas isso não me coloca pressão porque, como disse, há um ano avaliamos não só o Neymar, mas todos os jogadores", concluiu Ancelotti.
A realidade é que Carleto tem o respaldo da CBF — especialmente após a renovação de seu contrato até 2030 — e a decisão que tomar, seja ela qual for, dividirá o Brasil.