Beto Lago: "Um roteiro de filme que escancara a desorganização crônica do nosso Estadual"
Mesmo com o gramado sem condições de jogo, Santa Cruz e Náutico acontecerá na Arena Pernambuco
Publicado: 10/02/2026 às 08:53
Arena de Pernambuco nesta segunda-feira, 9 de fevereiro (Cortesia)
Estrutural
Nas últimas horas, o futebol pernambucano conseguiu mais uma façanha: superar a si mesmo e, como tem sido rotina, negativamente. Falou-se de tudo, especulou-se ao extremo, até que, somente após reuniões tardias, conversas atravessadas e decisões empurradas com a barriga, chegaram as definições sobre os jogos de ida das semifinais do Estadual. Primeiro, a FPF informou que Santa Cruz x Náutico seria na quarta-feira, no Arruda, às 19h, com portões fechados. Pouco depois, ainda no início da noite, a diretoria coral, não satisfeita, acionou o TJD para tentar adiar o clássico para depois do Carnaval. Minutos mais tarde, outra reviravolta: a diretora-presidente Michele Collins e o presidente Bruno Rodrigues se acertaram e definiram que o jogo acontecerá na Arena de Pernambuco. Estranho e incoerente, sobretudo porque o próprio Santa Cruz assinou nota oficial conjunta, ao lado do Retrô e da Arena, afirmando que o equipamento precisava de mais tempo para receber partidas. Além disso, arbitragem e VAR devem vim de fora do Estado. Sobre Retrô x Sport, tudo indica que nada muda: Aflitos, quinta-feira, às 17h. O que assistimos nas últimas horas foram cenas de um filme de quinta categoria. Um roteiro mal escrito e com um final previsível, que escancara a desorganização crônica do campeonato: incapaz de planejar, prever e, principalmente, respeitar o torcedor. Não é um problema pontual, é estrutural. Todos acuados, enquanto o produto se desvaloriza a cada rodada. Será que veremos mais cenas deste filme de péssima qualidade?
Nesta bagunça generalizada, já não cabe procurar culpados: todos falharam em algum nível. O que se viu foi um amontoado de erros, lambanças sucessivas e um desprezo constrangedor pelo Estadual, tratado como algo menor até por quem deveria protegê-lo. O resultado é esse: uma brincadeira de mal gosto sobre dia, hora e local de um clássico de tamanha tradição. O Pernambucano segue sobrevivendo apesar de seus gestores e não por causa deles.
Símbolo do descompasso
Como se não bastasse a improvisação nos bastidores, o jogo de volta entre Náutico e Santa Cruz, nos Aflitos, foi marcado exatamente no dia do desfile do Bloco Camburão da Alegria, formado por policiais e bombeiros. Parte do efetivo que deveria estar celebrando vai precisar abrir mão da folia para conter possíveis excessos e vandalismo das organizadas espalhadas pela cidade. Um símbolo do descompasso. De um campeonato que não dialoga com o calendário da cidade, não respeita o torcedor e trata problemas previsíveis como fatalidades.
Qual a garantia?
Essa possível negociação do volante Zé Lucas com o Botafogo do Rio escancara mais um erro grave da diretoria do Sport. Não é apenas uma questão de valor, claramente abaixo do potencial esportivo e de mercado do jogador, mas de escolha de parceiro. O Leão parece ignorar o histórico recente do Botafogo, marcado por atrasos, dívidas e negociações mal resolvidas, que colocam em xeque qualquer garantia de cumprimento financeiro.