Santa Cruz
COLUNA BETO LAGO

Beto Lago: "Minhas apostas são para Retrô e Santa Cruz nas semifinais"

O Retrô está mais próximo da vaga pelo desequilíbrio individual, e o Santa Cruz avançando mais pela vantagem construída do que por convicção

Beto Lago

Publicado: 07/02/2026 às 15:49

Partida entre Santa Cruz x Retrô, na 1ª fase do Campeonato Pernambucano 2026/Rafael Melo/FPF

Partida entre Santa Cruz x Retrô, na 1ª fase do Campeonato Pernambucano 2026 (Rafael Melo/FPF)

As apostas

Rodada final da segunda fase do Pernambucano, e o cenário não permite leitura rasa. No sábado, Retrô e Maguary largam em igualdade de condições, mas por caminhos bem distintos. A Fênix tem elenco capaz de decidir no individual, peças que resolvem em um lance. O Azulão, por sua vez, aposta quase tudo na engrenagem coletiva, na organização e na entrega. É aí que mora o risco: quando o jogo pede ruptura, criatividade, o Maguary sofre. Ainda assim, o Retrô também precisa provar que seu investimento se traduz em controle de jogo, e não apenas em lampejos.

No domingo, jogando no Arruda fechado, a matemática favorece o Santa Cruz, mas o futebol recente acende o alerta. A vantagem do empate torna a missão do Decisão quase heroica, é verdade, mas o coral tem seus problemas. Fábio Cortez viu seu time competir com o mesmo nível nos dois tempos. Contra o Sport e, novamente, em Goiana, o segundo tempo foi um colapso: linhas baixas demais, perda de intensidade, erros em sequência. Perdeu para o Leão assim e só não deixou escapar a vitória sobre o Decisão porque Rokenedy salvou o que a estrutura já não sustentava.

Para não ficar em cima do muro: vejo o Retrô mais próximo da vaga pelo desequilíbrio individual, e o Santa Cruz avançando mais pela vantagem construída do que por convicção. Ambos vencem seus jogos, mas a dúvida é saber quem passa sem trazer aperreios ou se alguém leva para as semifinais mais preocupações que certezas.

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Parada benéfica

Houve quem torcesse o nariz para os dez dias de folga de Náutico e Sport, mas a pausa tende a jogar a favor. Nos Aflitos, Hélio e Guilherme dos Anjos ganham tempo, artigo raro no futebol brasileiro, para repensar ideias, ajustar peças e dar um norte mais claro a um Timbu ainda em construção. Na Ilha, a parada era quase obrigatória. Roger precisava desse intervalo para organizar a casa, integrar reforços e buscar um mínimo de entrosamento. Seguir no ritmo anterior seria insistir no improviso.

Apoio logístico

No Conselho Técnico, a logística escancarou a realidade da Série B. Sem o suporte da CBF, os clubes não teriam como viajar. Arbitragem, VAR, antidoping, viagens e hospedagens são itens de sobrevivência. Metade das equipes sequer tem patrocínio máster na camisa, sem falar no problema das transmissões, deixando o campeonato caro e mal distribuído financeiramente. A conta não fecha e, mais uma vez, quem paga é o clube médio, sempre no limite.

Exercício de persistência

Na lista recente de técnicos brasileiros que passaram pela Seleção, o retrato é cruel. Apenas Dorival Júnior segue ganhando títulos, ainda sob desconfiança constante de parte da torcida e da imprensa. Tite não conseguiu se afirmar neste início no Cruzeiro e Fernando Diniz atravessa um inferno astral no Vasco, pressionado rodada após rodada. Até Ramon Menezes, que foi interino na Seleção, acabou descartado pela própria CBF. O recado é claro: no Brasil, o cargo de treinador virou um exercício permanente de resistência. Nem o selo da Seleção garante crédito. O prazo é mínimo, a cobrança é máxima e o contexto quase nunca entra na análise.

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