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COPA DO MUNDO

Lula participa do Tour da Taça da Copa do Mundo ao lado de ídolos do futebol masculino e feminino

Presidente abordou Copa Feminina no país, igualdade de gênero e memória do futebol brasileiro; evento em Brasília contou com nomes como Cafu e Formiga

Gabriel Farias

Publicado: 26/02/2026 às 18:49

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pentacampeão Cafu com a taça da Copa do Mundo/Evaristo Sa/AFP

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pentacampeão Cafu com a taça da Copa do Mundo (Evaristo Sa/AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde desta quinta-feira (26), em Brasília, do Tour da Taça da Copa do Mundo pelo Brasil, cerimônia oficial promovida pela FIFA em parceria com a Coca-Cola Brasil, no Palácio do Planalto. O evento marcou também a única exibição no país da taça da Copa do Mundo Feminina 2027, que será disputada no Brasil.

A etapa encerrou a passagem do Tour da Taça pelo país após visitas a São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, a iniciativa percorre 30 países-membros da FIFA, com 75 paradas ao longo de mais de 150 dias. Já a Copa do Mundo FIFA será realizada no Canadá, México e Estados Unidos.

Além de Lula, a cerimônia contou com a presença do ministro do Esporte, André Fufuca, autoridades e nomes históricos do futebol brasileiro. Campeões do mundo estiveram reunidos e participaram do evento Pepe, Jairzinho, Branco, Cafu e Edmílson. Formiga, ex-jogadora e atual diretora de políticas do futebol feminino no Ministério do Esporte, também esteve presente e discursou.

Em início de discurso, Lula destacou o peso simbólico da Copa do Mundo Feminina no Brasil e resgatou memórias do passado recente do futebol nacional, a Copa de 2014. O presidente relembrou o processo de fiscalização das obras dos estádios e criticou a narrativa construída à época.

“A Copa feminina aqui no Brasil tem que significar um símbolo para nós nesse momento histórico que estamos vivendo. Primeiro porque nós temos que nos redimir do que aconteceu conosco em 2014. Em 2014 foi um vexame. O Brasil vivia um momento muito delicado, um momento muito nervoso (…) mentiras inesquecíveis sobre corrupção da Copa do Mundo", expressou.

“O companheiro Orlando Silva era ministro do Esporte e eu lembro que, quando começaram as denúncias de corrupção do Estado, nós fomos ao Tribunal de Contas, que elegeu um ministro para ser responsável pela fiscalização dos 12 estádios que estávamos fazendo. Depois de todas as denúncias, o Tribunal de Contas chegou à conclusão de que não houve corrupção em nenhum dos 12 estádios que estavam sendo construídos. Tinha havido um problema no Rio de Janeiro, e o Tribunal de Contas, junto ao governador na época, Sérgio Cabral, e a empresa que estava construindo resolveram o problema. Mas passou-se a ideia para a sociedade de que aquilo tinha sido um manto de corrupção, e isso resultou na meninada toda nervosa, porque não havia clima sequer para jogar futebol", completou o presidente.

Confiança na Seleção em 2026

Lula também falou sobre a longa espera por um novo título mundial da Seleção masculina e demonstrou confiança em um novo ciclo. O presidente voltou a elogiar o técnico Carlo Ancelotti, que comandará a Canarinho no Mundial.

Nos Estados Unidos, México e Canadá, o Brasil vai completar 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, igualando o jejum anterior entre o tricampeonato, em 1970, e o tetra, em 1994, já que a última conquista foi em 2002, no Mundial do Japão e da Coreia do Sul.

 “Agora está completando outra vez 24 anos que a gente não ganha um título. Se não ganharmos agora, vamos empatar o recorde dos recordes sem ganhar a Copa. Por isso, estou convencido de que nós vamos ganhar essa Copa. Convencido porque conversei com o Ancelotti e acho ele uma figura extremamente séria, com a cabeça muito no lugar, e convencido de que só vai jogar quem estiver 100% em condições de jogar, que não vai convocar ninguém pelo nome, mas se a pessoa estiver jogando, preparada, treinando. E quando o técnico tem seriedade, normalmente os jogadores sabem que têm responsabilidade.”

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Futebol feminino e esporte como ferramenta social

Um dos pontos centrais do discurso presidencial foi a defesa da valorização do futebol feminino, tanto no aspecto esportivo quanto social.

“É preciso que a gente comece a valorizar o futebol feminino como ele merece ser valorizado. Você tem jogador ganhando um milhão e meio no banco de reservas sem jogar várias vezes, e você tem pessoas titulares da seleção brasileira feminina ganhando 25, 20 mil reais por mês, algumas ganhando cinco mil nos clubes, algumas ganhando um salário mínimo. Então é um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização da jogadora mulher. É o processo chamado preconceito de gênero, a diferença que existe na sociedade machista no tratamento que dão para as mulheres, que mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol.”

“Aqui no Brasil, a Copa do Mundo vai servir como um chamamento para mulheres lotarem os estádios. Então cabe à CBF e às federações estaduais tratarem o futebol feminino como ele merece, não só do salário, mas também do ponto de vista do tratamento mesmo.”

Nomeada em janeiro como diretora de políticas do futebol feminino no Ministério do Esporte, Formiga também participou da cerimônia. Duas vezes medalhista olímpica e única atleta, entre homens e mulheres, a disputar sete Copas do Mundo, ela destacou o crescimento da modalidade.

“Tive o privilégio de jogar sete Copas do Mundo e sei o quanto essa competição transforma a carreira de uma atleta. Venho de uma geração que precisou lutar muito por espaço, uma geração que não tinha visibilidade alguma, não tinha apoio. Hoje a gente vê um futebol feminino crescendo, ocupando os espaços que por muitos anos nos foram negados.”

Vice-campeã mundial em 2007, a ex-volante comanda ações estratégicas no ano que antecede a Copa do Mundo Feminina no Brasil.

Representando a geração pentacampeã, Cafu destacou o papel do futebol como elemento de união nacional.

“Somos o único país a ser pentacampeão mundial. Tenho muito orgulho quando falo em pentacampeão, porque o Brasil realmente não é para amadores, o Brasil é para apaixonados. Nós somos apaixonados por futebol, somos apaixonados pelo nosso país. Essa coisa chamada bola de futebol nos une de uma maneira que vocês não têm ideia. É o único esporte que não tem religião, que não tem partido político, que não tem desigualdade social, onde todo mundo fala com todo mundo com um único objetivo: a paixão.”

O ministro André Fufuca complementou o tom institucional do evento destacando o simbolismo da taça e a mensagem de igualdade, citando o Rei Pelé e a Rainha Marta.

“O Brasil teve a alegria de ter a rainha e o rei do futebol mundial, os dribles de Pelé, a grandeza do maior atleta de todas as gerações, e a alegria de ter Marta, a rainha que até hoje joga e encanta todo mundo. Não há taça que simbolize maior a união dos povos do mundo do que a taça da Copa do Mundo.”

“Nós iremos mostrar que aqui no Brasil não se aceita feminicídio, não se aceita violência contra a mulher. Aqui no Brasil nós respeitamos as mulheres brasileiras.”

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