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Número de agências bancárias despenca em Pernambuco e amplia pressão sobre atendimento

Nos últimos dois anos, o estado perdeu 24 agências bancárias, segundo dados do Banco Central

Catia Oliveira

Publicado: 25/07/2026 às 07:00

Cenário observado em Pernambuco acompanha uma tendência nacional de redução da presença física dos bancos/Foto: Rafael Vieira/DP Foto

Cenário observado em Pernambuco acompanha uma tendência nacional de redução da presença física dos bancos (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

O protesto realizado na sexta-feira (24) contra o fechamento da agência do Bradesco de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, evidencia um movimento que vem se intensificando em Pernambuco. Nos últimos dois anos, o estado perdeu 24 agências bancárias, segundo dados do Banco Central (BC). De acordo com o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, 93 dos 185 municípios pernambucanos já não contam com nenhuma unidade física para atendimento da população.

A redução da rede de agências vai além do impacto sobre os empregos no setor. Segundo o presidente do sindicato, Fabiano Moura, o fechamento das unidades dificulta o acesso da população aos serviços bancários, especialmente de idosos, aposentados e moradores do interior, além de afetar a atividade econômica de bairros e municípios que dependem da circulação de consumidores.

"Além dos prejuízos econômicos, há impactos sociais, com transtornos e dificuldades para a população. Em Pernambuco, municípios como Ouricuri e Belo Jardim conseguiram reverter o fechamento de agências após mobilizações e intervenções do poder público local, diante dos impactos econômicos e sociais causados pela medida", exemplifica Moura.

Outro efeito é a sobrecarga nas unidades que permanecem em funcionamento. "Uma mesma agência pode ter postos de atendimento em diferentes municípios. Esses postos de serviço, geralmente menores, contam apenas com um ou dois funcionários para oferecer serviços bancários à população. Com esse processo de retirada de mais agências e postos de serviço vai aumentar ainda mais a precarização do atendimento, principalmente as filas de espera", ressalta. 

Brasil perdeu milhares de agências

O cenário observado em Pernambuco acompanha uma tendência nacional de redução da presença física dos bancos. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Banco Central, o Brasil perdeu 37% das agências bancárias na última década. Atualmente, 2.649 municípios — o equivalente a 48% do total — não possuem nenhuma agência.

Impulsionados pelos avanços da tecnologia, que digitalizou transações e operações bancárias, somada à decisão de reduzir custos mesmo diante de agências superavitárias, restaram hoje ao país pouco mais de 14 mil unidades bancárias. Somente em 2025, Bradesco, Santander e Itaú encerraram, juntos, 1.388 agências e eliminaram 11.447 postos de trabalho em todo o país.

Os números também aparecem no mercado de trabalho. Dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que o setor bancário fechou 2025 com saldo negativo de 8.910 empregos formais, enquanto o Brasil criou 1.279.498 vagas com carteira assinada no mesmo período.

Lucros crescem enquanto atendimento diminui

Para o Sindicato dos Bancários, a redução da estrutura física ocorre em contraste com os resultados financeiros das instituições.

Dirigente da Secretaria do Ramo Financeiro do sindicato, Bethânia Montarroyos defende que os bancos privados, embora sejam empresas particulares, exercem uma atividade autorizada pelo Estado e, por isso, devem apresentar uma postura de responsabilidade social diante de seus correntistas que pagam suas tarifas.

"O setor financeiro é o que mais lucra no país e precisamos cobrar dos bancos um papel social. As transações que realizam movimentam a economia e deve haver uma contrapartida. O lucro dos bancos bate recordes há anos e é preciso responsabilidade com funcionários, clientes, usuários e com a população em geral", avalia.

Segundo ela, os cinco maiores bancos do país somaram R$ 124 bilhões de lucro líquido em 2025. Levantamento do sindicato aponta que, entre 2020 e 2025, os bancos privados ampliaram seus lucros líquidos em 114%, enquanto os bancos públicos registraram crescimento de 46% no mesmo período.

Para a entidade, o desafio é equilibrar os avanços tecnológicos com a manutenção de uma rede de atendimento capaz de atender a população que ainda depende dos serviços presenciais.

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