Novas tarifas dos EUA terão efeito limitado no Brasil, aponta FMI
Órgão destacou baixa exposição ao mercado norte-americano e alta de exportações agrícolas como fatores de proteção para o país
Publicado: 24/07/2026 às 11:25
O Brasil tende a experimentar efeitos modestamente positivos de desvio de comércio, especialmente no setor agrícola (Foto: Pouyana/Wikimedia Commons)
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos devem produzir efeitos limitados sobre a economia brasileira que, segunda a instituição, continua demonstrando capacidade de resistência mesmo em meio às turbulências do cenário internacional.
Em relatório divulgado nesta quinta-feira (24/7), o órgão afirmou que, embora o Brasil tenha sido alvo de uma nova tarifa de 12,5%, somada à alíquota de 25% anunciada na semana passada, "espera-se que o potencial impacto macroeconômico seja modesto".
A avaliação consta de dois documentos publicados pelo Fundo: a consulta anual do Artigo IV e a revisão do setor financeiro (FSAP).
De acordo com o FMI, eventuais benefícios decorrentes provocada pelas tarifas podem ser anulados pelos efeitos negativos gerados pela incerteza em torno das políticas econômicas globais.
O Fundo ressaltou que a exposição brasileira ao mercado norte-americano ajuda a explicar o impacto reduzido. Antes da eleveção das tarifas, as exportações destinadas aos Estados Unidos correspondiam a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as vendas para outras regiões avançaram.
Segundo o relatório, o “aumento das exportações de soja para a China desempenhou um papel central" para reduzir os efeitos sobre a balança comercial e amenizar o déficit em transações correntes.
O FMI também recordou que, em agosto de 2025, a tarifa efetiva incidente sobre produtos brasileiros, incluindo os itens isentos, alcançava 29,1% percentual superior à tarifa médica aplicada pelos Estados Unidos a ouitros países.
Na avaliação da instituição, o fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo e contar com elevada participação de fontes renováveis na matriz energética contribui para uma "notável resiliência" diante da volatilidade nos preços da commodity provocada pelo conflito envolvendo o Irã. Com esse cenário, a projeção do Fundo é de crescimento de 2,4% para a economia brasileira em 2026, impulsionado pelos preços internacionais mais elevados do petróleo e pelos estímulos fiscais.
O relatório acrescentou que, embora as tarifas comerciais possam interromper cadeias globais de suprimentos e pressionar a inflação, o Brasil tende a “experimentar efeitos modestamente positivos de desvio de comércio”, especialmente no setor agrícola.
Apesar da avaliação favorável sobre a atividade econômica, o FMI defendeu que o país adote um “esforço fiscal mais ambicioso” para colocar a dívida pública em trajetória de queda, criar espaço para investimentos prioritários e fortalecer a estabilidade macroeconômica.
Segundo o comitê responsável pela análise, “uma postura fiscal mais firme apoiaria a desinflação e abriria caminho para taxas de juros mais baixas”. O documento alertou ainda que um ajuste fiscal insuficiente pode ampliar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias.
Por fim, o Fundo ponderou que as perspectivas positivas para o crescimento seguem condicionadas ao cenário externo. Na avaliação do organismo, a “elevada incerteza global” e uma eventual intensificação das tensões no Oriente Médio podem elevar a inflação e, ao endurecer as condições financeiras e reduzir a demanda mundial, desacelerar a atividade econômica.