° / °
Coluna

Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Narrativas

Tarifaço: prejuízos x munição eleitoral

Túlio Gadêlha vê Flávio "antipatriota" e "subserviente". André Ferreira avalia que aliado "pelo menos, tentou"

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 18/07/2026 às 00:00

Para Túlio Gadêlha, população entendeu o recado. André Ferreira não vê impacto na campanha de Flávio./Marina Ramos / Câmara dos Deputados e Divulgação

Para Túlio Gadêlha, população entendeu o recado. André Ferreira não vê impacto na campanha de Flávio. (Marina Ramos / Câmara dos Deputados e Divulgação)

Quando precisou desmarcar a agenda que cumpriria no Recife, no último dia 09, o presidenciável Flávio Bolsonaro gravou um vídeo e divulgou em suas redes, avisando que precisaria estender sua permanência nos Estados Unidos, onde se encontrava.

Gravou a seguinte mensagem: “Vou ter que ficar para defender o Brasil desse tarifaço, para tentar convencer o governo americano de que as tarifas são muito ruins para o Brasil. Estou aqui protegendo o Brasil das tarifas e do Lula”. Menos de 10 dias depois, a sobretaxa foi confirmada. Nem um adiamento foi possível, o que daria a Flávio o discurso de que teria conseguido evitar o tarifaço junto à equipe de Donald Trump.

Aliados minimizam o impacto da aplicação da tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros, mas adversários apontam tiro no pé do presidenciável e acreditam que a população entendeu o recado. O deputado federal Túlio Gadêlha, à coluna, avalia o seguinte: “As pessoas estão entendendo que a extrema direita está a serviço de outro País”.

O parlamentar prossegue: “Hoje, a gente lida com alguém que, apesar de não ser tão negacionista quanto o pai, é alguém que tem se mostrado um antipatriota, um subserviente aos interesses estrangeiros”. Para Túlio, Flávio só recuou de “ofensiva contra o Brasil” em função da pesquisa.

Levantamento Quaest apontou que a maioria deposita na conta de Flávio a responsabilidade pelas tarifas. O deputado federal André Ferreira, que integra o partido do presidenciável, o PL, não acredita que os prejuízos ao Brasil caiam na conta do aliado.

“Pelo contrário, eu vi Flávio brigando para poder tirar tarifas. Isso é uma questão mundial. Não vejo esse impacto na campanha ele. Pelo menos, ele tentou”, defende André à coluna. Fato é que a sobretaxa, a despeito do impacto econômico, virou munição de campanha. Deu ao PT o discurso do “Tariflávio” e, ao PL, o do “Partido do Tarifaço”.

Enfrentamento

O senador Humberto Costa, à coluna, adverte que o Governo Federal vai “para o enfrentamento” no que diz respeito à adoção de medidas de proteção aos setores prejudicados e vai discutir com calma a Lei da Reciprocidade. Para o senador, argumentos relativos a desmatamento, trabalho escravo, entre outros, não se sustentam, “são falhos”. Realça que os EUA são “superavitários no comércio com o Brasil”.

Custo

“Politicamente, Flávio tem um preço a pagar”, avalia Humberto. E, assim como Túlio Gadêlha, faz referência à pesquisa Quaest: “A leitura da população mostra que ele tem participação”.

Reforço

Neste sábado (18), o Avante declara apoio à pré-candidatura ao Senado de Túlio Gadêlha em evento no Expo Center, às 12h, que terá a presença de seis prefeitos e 40 vereadores.

Mais de Diario Político

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas