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Coluna

Diario Econômico

Com Pedro Ivo Bernardes

Automóveis chineses

Tecnologia dos automóveis chineses está muito mais perto do que se pode imaginar

Fabricantes de automóveis ocidentais estão recorrendo aos chineses para avançar na eletrificação, no sentido inverso à década de 1980, quando a China obrigava as grandes marcas a se associarem a grupos locais para forçar a transferência de tecnologia

Pedro Ivo Bernardes

Publicado: 19/10/2026 às 09:36

Chevrolet Spark será montado no Brasil/GM Chevrolet/Divulgação

Chevrolet Spark será montado no Brasil (GM Chevrolet/Divulgação)

Na última semana, circulou a notícia de que a JAC Motors, a Huawei Technologies e a Stellantis estariam em tratativas para recuperar a lendária marca italiana de veículos esportivos Maserati, que pertence ao conglomerado automotivo europeu. Em meio aos rumores, a JAC confirmou as conversas e a Stellantis não negou e afirmou que os planos para a marca serão apresentados em dezembro.

O episódio escancara uma nova era para as marcas chinesas de automóveis, que até algum tempo atrás eram vistas com desconfiança. Esse atual protagonismo da indústria automobilística chinesa é o que se pode chamar de exemplo da aplicação dos ensinamentos de Sun Tzu, autor do livro "A Arte da Guerra”, especificamente o princípio do “vencer sem lutar".

As controversas relações entre fabricantes de automóveis globais e chinesas começaram na década de 1980, quando as gigantes automotivas aceitaram formar joint ventures com grupos estatais da China para ter acesso ao mercado local. Foi a largada para a transferência de tecnologia, com o surgimento de JVs como Baic Jeep, Saic Volkswagen, Saic GM, Dongfeng Peugeot-Citroen, foram algumas das parcerias nascidas no período, a maioria ainda em plena atividade. Entre todas elas, a Saic GM é a mais próxima dos brasileiros, dando origem a modelos como o Chevrolet Spark EV e o Chevrolet Captiva EV comercializados por aqui.

Grupos chineses vão às compras

Em um segundo momento, os grupos chineses foram às compras. No início dos anos 2000, a Saic/Nanjing comprou a britânica MG e a Geely adquiriu, da Ford, o controle integral da Volvo, da LEVC (fabricante dos táxis londrinos), Lotus, Aston Martin, Proton, 10% da Daimler, 25% da Renault do Brasil e na Renault Korea, além de uma joint-venture 50-50 na Smart, marca de veículos compactos em que é sócia da Mercedes. Há ainda rumores de entendimentos entre Geely e Ford, BYD e Ford, Chery e Nissan, Dongfeng e Stellantis, entre outras.

Inversão da transferência de tecnologia

O caso da Maserati, citado na abertura do texto, revela o atual estágio das relações entre as montadoras chinesas e as ocidentais. De acordo com a imprensa italiana, o acordo JAC-Hauwei-Stellantis combinaria o design italiano, a tecnologia da Huawei e os serviços de desenvolvimento de engenharia da JAC como parte de uma estratégia mais ampla de revitalização da Maserati. A JAC e a Huawei já atuam juntas na Maextro, marca de veículos elétricos de luxo criada para competir com a Rolls-Royce, Mercedes-Maybach e Bentley.

Trocando em miúdos, hoje grupos como Volkswagen, Stellantis, Renault, GM, Ford, Toyota e Honda compram dos fabricantes chineses exatamente o que os chineses compraram deles na década de 1980, com a política de joint-venture obrigatória. Para a China, os acordos seguem válidos, uma vez que são a forma mais eficaz de driblar as barreiras tarifárias impostas pelo ocidente.

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