Uso não autorizado de IA expõe empresas a riscos de vazamento de dados
Estudo realizado pela Oxford Economics sob encomenda da multinacional de sistrenas corporativos SAP revela que apenas 18% das empresas brasileiras possuem estratégia unificada de adoção da inteligência artificial e cerca de 80% já contabilizaram prejuízos pelo uso cladestino de IAs abertas
Publicado: 12/09/2026 às 18:30
(Créditos: Adobe Stock)
A adoção da Inteligência Artificial (IA) na rotina das empresas é um caminho sem volta. Não é mais uma questão de definir quando, mas de saber o que e como fazer para integrar a IA no dia a dia das corporações. Aderir de forma desordenada ou retardar a decisão pode sair caro. Segundo a pesquisa “The Value of AI: Brazil 2026”, realizada pela consultoria Oxford Economics sob encomenda da criadora de sistemas empresariais SAP, apenas 18% das companhias brasileiras possuem uma estratégia unificada e integrada de adoção da IA.
O estudo, apresentado na última semana durante o SAP NOW AI 2026, evento realizado pela multinacional para debater as novidades tecnológicas com parceiros e clientes, traz dados preocupantes. Das empresas ouvidas, 48% adotam a IA generativa de forma isolada, projeto a projeto, sem que isso seja incorporado ao dia a dia da empresa. Na prática, é como se a cada novo projeto seja necessário começar do zero.
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Shadow IA
A falta de uma definição institucional abre caminho para o pior dos cenários: a utilização de ferramentas de forma clandestina, à revelia dos setores de TI e compliance das empresas. Ao utilizar modelos genéricos de IA, como os disseminados mundialmente entre os usuários domésticos, os funcionários expõem a empresa a riscos, como vazamento de informações e vulnerabilidade de segurança.
O levantamento da Oxford aponta que 80% das companhias relatam ter recebido trabalhos de baixa qualidade gerados por IA externa e outros 78% precisaram alterar processos operacionais para contornar falhas dos sistemas. Em 43% dos casos, as empresas afirmaram que o uso irregular da tecnologia provocou vazamento de dados internos ou exposição de propriedade intelectual, além de ter gerado violações diretas às regras de compliance em 31% das organizações avaliadas.
Para piorar o cenário, 35% das empresas admitem não possuir nenhum tipo de supervisão humana para as tarefas conduzidas de forma autônoma por esses agentes e outros 29% dizem não ter controle sobre senhas e níveis de permissão concedidos a esses robôs.
Gargalo da base de dados
O estudo também identificou os principais empecilhos para a adoção planejada da IA. Três em cada quatro empresas apontam a disponibilidade e a qualidade dos dados como a maior barreira para a implantação da tecnologia e, como as bases de dados são a matéria-prima da inteligência artificial, a própria qualidade da ferramenta é colocada em xeque.
O problema é agravado quando falamos em IA agêntica, que é a próxima fronteira da inteligência artificial no mundo corporativo. Diferente da IA generativa, que são capazes de produzir textos, imagens ou códigos obedecendo a comandos, a IA agêntica são sistemas que executam tarefas e tomam decisões de forma mais autônoma, encadeando etapas sem supervisão constante. Assim, para que sua utilização seja viável, o agente precisa ter o conhecimento pleno da cultura e dos processos da empresa.