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Abuso de autoridade

PMs vão a júri popular por morte de estudante de medicina em São Paulo

Em relatório final de inquérito, o delegado Gabriel Tadeu Brienza Vieira, do DHPP, afirmou que o uso de arma de fogo no caso "não se mostrou legítimo"

Estadão Conteúdo

Publicado: 23/02/2026 às 18:53

Marco Aurelio Cardenas Acosta, 22, era aluno do quinto ano de medicina/Arquivo pessoal

Marco Aurelio Cardenas Acosta, 22, era aluno do quinto ano de medicina (Arquivo pessoal)

A Justiça determinou nesta segunda-feira, 23, que os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado devem ser julgados por júri popular pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta em novembro de 2024. Ainda não há data prevista para o julgamento.

Procurado pelo Estadão, o advogado João Carlos Campanini, que representa os policiais militares, afirmou que "a defesa respeita a decisão e irá recorrer, uma vez que o próprio juízo narrou não ter certeza dos fatos". Ele acrescenta que, "na hipótese da legítima defesa, a lei impõe que a dúvida deve gerar a absolvição dos acusados".

Marco Aurélio tinha 22 anos quando foi baleado pelo policial Guilherme Augusto Macedo. O jovem foi alvejado na barriga na madrugada do dia 20 de novembro de 2024, na porta de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

Macedo e outro policial, Bruno Carvalho do Prado, estavam fazendo ronda de rotina pela Vila Mariana, quando Marco Aurélio passou caminhando sem camisa e deu um tapa no retrovisor da viatura. Os dois policiais saíram em perseguição a ele, que tentou entrar em um hotel onde estava hospedado com uma mulher. O estudante, desarmado, foi encurralado pelos policiais. Macedo atirou à queima-roupa e Marco Aurélio morreu.

Os advogados Pedro Medeiros Muniz e Nikolas Limas Pessoa Dias, que representam a família de Marco Aurélio, classificaram a determinação do julgamento por júri popular "um passo decisivo rumo à justiça", mas destacaram que "a família recebe com profunda indignação e inconformismo a parte da decisão que permitiu aos réus recorrerem em liberdade". Eles afirmam que continuarão exigindo a prisão preventiva dos réus e a expulsão das fileiras da corporação.

"A liberdade desses agentes representa um risco manifesto à ordem pública e uma afronta direta à memória de Marco Aurélio e à dor de sua família. Não descansaremos até que aguardem o veredito final atrás das grades", dizem em nota.

Em vídeo gravado pelas câmeras corporais dos policiais no dia que Marco Aurélio morreu, é possível ver o universitário falando "Tira a mão de mim! Tira a mão de mim!" repetidas vezes aos dois PMs, de acordo com o relatório final do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em relatório final de inquérito, o delegado Gabriel Tadeu Brienza Vieira, do DHPP, afirmou que o uso de arma de fogo no caso "não se mostrou legítimo", uma vez que "a vítima estava visivelmente sem armas e não estava em atitude que pudesse representar risco de morte ou lesão a guarnição policial ou terceiros".

O Ministério Público indiciou Macedo e Prado por homicídio doloso (intencional). Recentemente, a juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara Criminal do Júri da capital, negou pedido de prisão preventiva para Macedo, mas aceitou a denúncia do MP, permitindo que o caso começasse a tramitar.

A juíza também determinou que o policial cumpra medidas cautelares. Macedo está proibido de manter contato com familiares da vítima, deve se apresentar mensalmente em juízo, precisa manter seu endereço atualizado perante a Justiça, não pode se ausentar por mais de oito dias da comarca onde mora e está proibido de frequentar bares e festas.

Em dezembro de 2025, a Universidade Anhembi-Morumbi concedeu um diploma póstumo a Marco Aurélio. A homenagem aconteceu durante a colação de grau da turma do estudante de Medicina. Os pais da vítima, Julio Cesar Acosta Navarro e Silvia Cardenas Prado, receberam o diploma em nome do filho com muitos aplausos dos presentes. Tanto Julio quanto Silvia são médicos.

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