"Imagens não mostram o que aconteceu antes", diz secretário sobre denúncias de violência policial no Carnaval
Secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, comentou, nesta quarta (19), sobre denúncias de violência policial no Carnaval
Publicado: 19/02/2026 às 19:58
Secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho (Foto: Marina Torres/DP Foto)
O secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, comentou sobre denúncias de violência policial durante o carnaval que viralizaram nas redes sociais, entre os dias 12 e 18 de fevereiro. Segundo declaração dele nesta quinta (19), as imagens publicadas “mostram o momento da intervenção, não mostram o que aconteceu antes”.
Um dos casos de maior repercussão envolveu o rapper Djonga, que denunciou, na quarta-feira (18), agressões de policiais militares contra o público que assistiu ao show dele no festival Rec-Beat, na noite de terça (17). Questionado sobre como a SDS recebeu a denúncia, Carvalho pontou que tomou “conhecimento dos fatos”, e que policiais que cometeram excessos responderão por isso.
“O governo do estado, a Secretaria, a Polícia Militar, não compactuam com nenhum tipo de excesso ou violência. Para casos, por exemplo, como o Rec-Beat, assim que eu soube, determinei a corregedoria da Secretaria de Defesa Social que instaurasse um procedimento. Nós vamos apurar como sempre fazemos para entender o que ocorreu e se houve excesso, se não há uma justificativa, o policial vai responder por esse excesso. Porque a força tem que ser utilizada até cessar uma agressão que esteja ocorrendo”, disse.
O Diario conversou com um jovem de 27 anos que relata ter sido agredido sem motivos por policiais militares, durante o show de Djonga, na terça (17). O jovem afirma que não houve discussão ou qualquer tipo de briga no momento. “Olhei o sangue escorrendo e abri os braços tentando entender o motivo. Ninguém estava fazendo nada ilícito. Não existe justificativa para isso”, relembrou.
Nesta quinta (19), ele esteve, acompanhado do advogado, na Corregedoria, fez exame de corpo de delito no IML e prestou Boletim de Ocorrência na delegacia. Segundo a vítima, ele levou uma pancada de cassetete na testa enquanto participava de uma roda aberta pelo artista durante a apresentação, o que resultou em um corte profundo e sete pontos.
De acordo com o relato, a agressão aconteceu quando o cantor pediu para que o público abrisse uma roda para brincar: “Eu era um deles e, enquanto estava pulando, me esbarrei com um policial que vinha por trás. A roda estava aberta e ele invadiu. Quando me esbarrei, ele se afastou e deu um cacetete na minha testa. Levei sete pontos”, contou.
O tradicional bloco carnavalesco “Eu Acho é Pouco”, também emitiu uma nota de repúdio, pontuando, abordagens truculentas de policiais militares. “Em nossa histórica trajetória, nunca presenciamos confusão entre os foliões. Nossa tradição sempre se sustentou na partilha e no respeito. Justamente por isso, os episódios ocorridos na última saída, nesta terça-feira de carnaval, nos obrigam a vir a público para denunciar a violência e repudiar excessos de quem tem o dever de proteger.
Ainda conforme o texto, um grupo de policiais “protagonizou uma cena de violência física contra duas mulheres foliãs. Um ato injustificável, revoltante e incompatível com a função pública de proteção, em especial em um ambiente de celebração e vulnerabilidade como é o Carnaval de rua”.
Procurada pelo Diario de Pernambuco, a Polícia Militar se manifestou sobre as denúncias por meio do BPTur (Batalhão de Policiamento Turístico). Em nota, a corporação informou que, de acordo com o histórico do boletim de ocorrência, a equipe policial interveio inicialmente para cessar uma "ocorrência de vias de fato envolvendo diversos indivíduos" que estariam cercando a patrulha que atendia a situação no local.
Segundo a PM, foi necessário o uso "moderado e progressivo da força" para conter o tumulto, garantir a integridade física da equipe e realizar a prisão de um indivíduo que resistia ativamente. Uma pessoa foi conduzida por desacato e resistência.
A nota ressalta ainda que qualquer cidadão que se sentir prejudicado por ações ou atos de um policial militar pode recorrer às esferas correcionais através da Corregedoria-geral ou da própria corporação. A Polícia Militar destacou que já foi instaurado procedimento cabível na Corregedoria para apuração do caso.
Já a organização do Rec-Beat também publicou uma nota sobre o ocorrido. “O Festival Rec-Beat vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de violência praticados por agentes de segurança pública após o show do artista Djonga, realizado na noite de 17 de fevereiro, apresentação que marcou o encerramento da edição histórica de 30 anos do festival”.