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Antes do Oscar e do sucesso internacional, Wagner Moura foi revelado em peça que estreou no Recife; conheça a trajetória

Wagner é o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator

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Publicado: 22/01/2026 às 16:37

Ator Wagner Moura, protagonista de 'O Agente Secreto'/Foto: Divulgação

Ator Wagner Moura, protagonista de 'O Agente Secreto' (Foto: Divulgação)

Antes das luzes de Hollywood, dos tapetes vermelhos e das grandes premiações internacionais, havia um palco em Salvador e, pouco depois, uma estreia no Recife. Havia texto, silêncio, respiração e um jovem ator baiano aprendendo a ouvir o mundo antes de interpretá-lo. A caminhada de Wagner Moura, agora eternizada com a indicação ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto”, anunciada nesta quinta (22), é menos sobre ascensão repentina e mais sobre travessia: artística, política e profundamente brasileira.

Muito antes de o cinema nacional viver a atual onda de reconhecimento internacional, Moura já construía uma base sólida. Formado pela Universidade Federal da Bahia, em Salvador, chegou a atuar como repórter em um programa de TV local, mas logo abandonou o jornalismo para se dedicar integralmente ao teatro. Essa decisão que moldou não apenas sua carreira, mas sua forma de observar, escutar e narrar o mundo.

Aos 21 anos, ainda nos anos 1990, chamou a atenção nos palcos baianos com montagens como “Abismo de Rosas”. Pouco depois, dividiu cena com Lázaro Ramos e Vladimir Brichta em “A Máquina”, espetáculo estreado no Armazém 14, no Recife, no início dos anos 2000 e dirigido por João Falcão. A peça foi decisiva para revelar Wagner Moura ao grande público do teatro brasileiro e ajudou a consolidar uma geração que, nos anos seguintes, redefiniria o teatro e o audiovisual nacional.

Esse olhar atento para o mundo logo encontrou eco no cinema. Ainda na efervescência da retomada do audiovisual brasileiro, impulsionada pelo impacto de “Central do Brasil” no fim dos anos 1990, Wagner Moura fez seu primeiro grande trabalho nas telonas como coadjuvante em “Sabor da Paixão”, coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Espanha exibida na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes. No elenco, dividia espaço com nomes como Penélope Cruz, Murilo Benício e Mark Feuerstein.

Nos anos seguintes, firmou os pés no cinema nacional com papéis em produções marcantes como “O Caminho das Nuvens”, “Deus é Brasileiro”, “Carandiru”, além de “Saneamento Básico”, “Ó Pai, Ó” e “Ópera do Mallandro”, consolidando-se como um ator versátil, capaz de transitar entre o drama social, o humor e a crítica de costumes.

A virada definitiva veio em 2007, com “Tropa de Elite”. Sob a direção de José Padilha, Wagner Moura deu vida ao Capitão Nascimento, personagem central de um filme que fez uma crítica direta à atuação do BOPE nas favelas do Rio de Janeiro. A produção venceu o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, alcançou mais de R$ 25 milhões em bilheteria e ganhou repercussão internacional. A continuação, lançada em 2010, superou a marca dos R$ 100 milhões, entrando para a história como uma das maiores arrecadações do cinema brasileiro.O sucesso abriu caminho para fora do país.

Em “Elysium”, Moura estreou em uma produção inteiramente norte-americana. A consagração global veio com “Narcos”, da Netflix, onde interpretou Pablo Escobar. O papel lhe rendeu, em 2016, uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de Drama.

Paralelamente à atuação, Wagner Moura passou a ocupar também a cadeira de diretor. Sua estreia aconteceu em 2019, com “Marighella”, reforçando um compromisso contínuo com narrativas políticas, memória histórica e personagens atravessados por conflitos coletivos. Na sequência, vieram trabalhos de grande alcance internacional, como a dublagem de “O Gato de Botas 2”, além de filmes e séries para plataformas globais, incluindo “Shining Girls”, “Guerra Civil”, “Sr. & Sra. Smith” e “Ladrões de Drogas”, produção associada a Ridley Scott. Nesse percurso, Moura passou a colaborar com alguns dos nomes mais influentes do cinema contemporâneo, como Alex Garland.

Agora, com “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado no Recife de 1977, Wagner Moura atinge um novo patamar de maturidade artística. O filme, que soma quatro indicações ao Oscar, dialoga com tensão política, identidade e memória, temas caros tanto ao diretor quanto ao ator. O reconhecimento veio em sequência: prêmios em Cannes, no Critics Choice Awards, no Globo de Ouro e confirmação histórica da indicação ao Oscar de Melhor Ator.

Dos palcos de Salvador, com passagem marcante pelo Recife, aos estúdios de Hollywood, a trajetória de Wagner Moura reafirma que o talento brasileiro não pede licença, ele ocupa espaço. E, desta vez, o Oscar não é ponto de chegada. É celebração.

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