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Destaque do Rock in Rio 2026, Elton John já veio ao Recife e fez show especial para a cidade

Única apresentação de Elton John no Recife aconteceu em 2013, com piano, grandes hits e repertório intimista

Por Allan Lopes

Elton John fez show histórico no Classic Hall em 2013

O visual era digno da realeza do pop: terno preto bordado com pedrarias brilhantes, camisa de seda e óculos totalmente azuis. Para esbanjar tanta elegância, só mesmo Sir Elton John. Esse foi o figurino escolhido para o que seria sua primeira e última apresentação no Grande Recife, no atual Classic Hall, em 10 de março de 2013.

Ele trouxe o show “Solo Piano”, uma exceção na passagem pelo Brasil, onde as demais cidades receberam a turnê “40th Anniversary of the Rocket Man”. Pouco mais de 13 anos depois, o astro inglês se despede definitivamente dos palcos brasileiros em uma noite histórica no Rock in Rio, nesta segunda-feira (7), a partir das 23h. Em clima de adeus, a reportagem revisita aquela noite em que o Rocket Man emocionou os fãs pernambucanos.

Segundo a cobertura do Diario na ocasião, a pontualidade britânica não falhou. Às 21h em ponto, Elton John entrou no palco. O público pernambucano teve diante de si apenas o artista e seu imponente piano Yamaha de cauda vermelha. A apresentação teve uma configuração incomum para a turnê, já que Recife foi a única cidade brasileira a receber o artista sem banda e com uma estrutura reduzida.

Como seria a última parada no país, os demais músicos poderiam retornar à Inglaterra e, portanto, reduzir custos da viagem. A medida gerou sentimentos distintos. Parte dos fãs sentiu falta da grandiosidade esperada para um show desse porte, enquanto outros valorizaram a oportunidade de uma apresentação mais intimista.

O preço dos ingressos, porém, não acompanhou o minimalismo do espetáculo. A Pista Premium, por exemplo, custava R$ 1 mil. Na época, o valor correspondia a quase um salário mínimo e meio para quem quisesse garantir um lugar mais próximo do palco. Ali, cada gesto do Sir era recebido com reações efusivas. Elton John, por sua vez, retribuiu o carinho com simpatia. Entre frases em inglês e um eventual “obrigado”, levantava-se na maioria dos intervalos, acenava para a plateia e até distribuía beijos.

Com duas horas de duração, o show começou com “The One”. Logo após a abertura, Elton John comentou que nunca havia estado no Recife e afirmou estar feliz por finalmente se apresentar na cidade. A surpresa veio logo depois, quando o cantor deixou de lado o roteiro pré-definido de 25 faixas para incluir “Sixty Years On”.

“Espero que vocês gostem do que escolhi para esta noite”, disse, antes de apresentar a música, que não fazia parte da seleção divulgada. Segundo a assessoria de imprensa da casa, a expectativa era de que o mesmo repertório fosse mantido nas apresentações pelo país, mas o público pernambucano acabou levando a melhor.

A seleção por aqui veio especialmente generosa com diversos hits como “Tiny Dancer” e “Skyline Pigeon”, exclusivas da passagem pelo Brasil, ao lado de momentos mais contidos, como “Nikita” e “Candle in the Wind”, criada em homenagem à Marilyn Monroe e, posteriormente, à princesa Diana. Durante “Your Song”, Elton dedicou o clássico ao público recifense: “Eu não estaria aqui se não fosse essa música”, ressaltou.

Depois, “Levon” transformou o piano em protagonista, com um solo que arrancou aplausos da plateia. “Tiny Dancer”, que havia sido descoberta após aparecer no filme “Quase Famosos” (2000), manteve o embalo e foi outro dos grandes destaques da noite.

Mas foi “Rocket Man” que levou a apresentação a outro patamar. Elton John reinventou a canção ao piano, prolongando o arranjo em um solo envolvente e hipnótico. Por alguns minutos, o Classic Hall parecia suspenso no ar, transportado para o universo do personagem que sonha em deixar o planeta.

Depois de tanta contemplação, “Crocodile Rock” trouxe o público de volta à terra firme. Elton saiu do piano, pediu que todos se levantassem e conduziu os pernambucanos no “la la la” do refrão. O final teve um bis com “Circle of Life” e “Can You Feel the Love Tonight”, duas fases distintas de sua carreira. E assim, tal qual o brilho de seu terno, Elton John encerrou sua passagem pelo Recife em grande estilo.