Coligação de Raquel Lyra acusa rede de 987 perfis falsos de atacar a governadora no Instagram
Em petição à Justiça Eleitoral, coligação de Raquel Lyra afirma que contas recém-criadas agem de forma coordenada e pede que a plataforma identifique quem as opera
A coligação Pernambuco de Coração, que apoia a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), afirma ter identificado uma rede de 987 perfis falsos no Instagram que, desde maio, estaria atuando para atacar a candidata e defender o adversário, João Campos (PSB). A acusação consta em petição protocolada neste sábado (3) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0603249-19.2026.6.17.0000, instrumento que apura abusos de poder e irregularidades na campanha.
Segundo a coligação, os perfis foram catalogados entre maio e 1º de outubro, e parte deles já saiu do ar. A equipe de Raquel Lyra sustenta que as contas são recém-criadas, fechadas e de identidade inverificável, atuando de forma reativa a fatos da campanha, como divulgação de pesquisas, reportagens e debates. O relatório anexado reúne capturas de tela, nomes de usuário, datas e horários de cada registro, de acordo com nota divulgada pela campanha.
A coligação diz que, na madrugada seguinte ao debate da TV Globo, na terça-feira (29), 151 contas recém-criadas publicaram 3.488 comentários em 52 publicações de 18 páginas. Cerca de 85% desses comentários saíram de apenas 159 frases repetidas, segundo a petição. À 0h52 da última quarta-feira (30), teriam sido 51 comentários em um único minuto.
Em outra análise, referente aos 15 dias anteriores a 1º de outubro, a coligação afirma que 174 das 184 contas ativas que comentaram nas publicações foram criadas no Instagram em setembro de 2026. Cerca de 72% teriam trocado de nome de usuário no período. A nota indica ainda que 160 dessas contas utilizavam fotos de mulheres e que três perfis criados em setembro comentaram juntos em 19 publicações de páginas variadas.
Para a equipe da governadora, o padrão não condiz com o de um usuário comum. Na petição, a coligação argumenta que uma conta com menos de um mês de criação, fechada, com poucas fotos e que quase não segue ninguém "não corresponde ao perfil de quem comenta política" em dezenas de veículos de imprensa na mesma madrugada.
O que pede a coligação Pernambuco de Coração
A coligação pede que o TRE-PE determine ao Instagram que preserve as contas, os comentários, as respostas e as curtidas dos perfis citados. O grupo também solicita que a plataforma entregue, em 48 horas, os dados que permitam identificar quem opera as contas, incluindo os titulares de 219 delas, e que alguns perfis sejam suspensos temporariamente. Segundo a petição, o tribunal não deve permitir que uma "estrutura documentadamente coordenada" siga atuando no debate eleitoral "anônima sem investigação jurisdicional".
A campanha de Raquel Lyra afirma ainda que, em setembro, o TRE-PE mandou suspender o perfil @raquel_bolada, que convocou o público a receber a governadora com ovos em um ato de campanha. Segundo a coligação, o autor é funcionário terceirizado da Prefeitura do Recife.
A coligação diz também ter pedido à Justiça que o adversário esclareça a quem se refere quando fala em milícia digital, sem resposta até agora. Na nota, afirma que "quem acusa tem o dever de dizer a quem" e que Raquel Lyra "confia na Justiça".
O que diz a Frente Popular de Pernambuco
A Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos (PSB) diz a coligação Pernambuco de Coração deve se explicar sobre os perfis que " promovem ataques nas redes sociais" a candidatura do socialista. O grupo afirma ainda que desde sexta-feira (2) a imprensa nacional está noticiando sobre uma investigação da Polícia Federal que comprova uma denúncia feita há quase um ano sobre a existência de um suposto gabinete do ódio ligado ao Governo de Pernambuco.
"É inaceitável saber que dados disponibilizados pelo próprio Poder Executivo estadual comprovam o uso da internet do Palácio do Campo das Princesas para administrar perfis de ataques, inclusive contra o candidato João Campos. É mais grave ainda saber que se trata do mesmo IP (endereço digital) de quem gerenciava as redes da própria governadora. Na sexta-feira, o STF remeteu o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância responsável por julgar processos contra governadores. A decisão comprova que a candidata Raquel Lyra é alvo de investigação da Polícia Federal", diz trecho da nota enviada ao Diario.
A Frente Popular diz que espera que as apurações, que incluem “indícios de associação criminosa e de desvio de recursos públicos”, sejam analisadas de forma rigorosa pela oposição. "Eleição não é vale-tudo. No lugar de espalhar ódio, este conjunto político vai seguir fazendo uma campanha limpa, apresentando as melhores propostas para Pernambuco", afirma trecho final da nota.
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