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Candidatos ao Governo de Pernambuco discutem segurança, saúde e relação com Lula em debate

João Campos e Raquel Lyra trocaram acusações sobre gestões no Recife e no estado durante debate da TV Globo. Ivan Moraes criticou adversários e defendeu mudanças na política ambiental

Por Adelmo Lucena

Candidatos ao Governo de Pernambuco participam de debate na TV Globo

Os temas segurança pública, saúde, mudanças climáticas e a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) serviram de base para os candidatos ao Governo de Pernambuco se enfrentarem politicamente durante o debate promovido pela TV Globo, na noite desta terça-feira (29). A seis dias do primeiro turno, João Campos (PSB), Raquel Lyra (PSD) e Ivan Moraes (PSOL) protagonizaram confrontos, com cobranças sobre as gestões do Recife e do estado e referências ao histórico político dos adversários.

O debate foi dividido em quatro blocos, com perguntas entre os próprios candidatos. O primeiro teve temas determinados, já o segundo foi feito com tema livre e o terceiro foi destinado a questões relacionadas a regiões de Pernambuco; e o quarto voltou a ter temas livres, além das considerações finais.

A segurança pública foi um dos momentos de maior confronto entre João Campos e Raquel Lyra. O candidato do PSB foi questionado sobre a Guarda Municipal e rebateu citando a situação do Córrego do Sargento, no Recife, afirmando que a população da área estaria vivendo sob toque de recolher. João também associou o avanço de facções criminosas à situação da segurança no estado.

Ao defender ações realizadas durante sua gestão na Prefeitura do Recife, o candidato citou o concurso para a Guarda Municipal, o processo de armamento gradual da corporação e a ampliação do atendimento a mulheres vítimas de violência. Na sequência, questionou Raquel sobre o número de delegacias construídas durante o governo estadual.

Raquel rebateu afirmando que também assumiu responsabilidade sobre a segurança quando foi prefeita de Caruaru e comparou sua atuação com a situação encontrada ao assumir o governo estadual.

“Eu fui prefeita de Caruaru e assumi também a minha responsabilidade sobre segurança pública. Naquela ocasião, Paulo Câmara, o seu primeiro empregador como governador, e você foi chefe do gabinete dele, ele era governador do Estado. Em Pernambuco, em 2018, Caruaru foi a terceira cidade mais violenta do Brasil. Reduzimos pela metade os homicídios e crimes contra o patrimônio.”

João rebateu retomando a trajetória de Raquel no PSB e afirmou que a governadora já havia apoiado Paulo Câmara. Segundo o socialista, a gestão estadual não teria inaugurado delegacias durante o atual governo.

“Vamos lançar o Pacto Antifacções. A Secretaria da Fazenda vai fazer parte do programa de segurança pública para a gente combater lavagem de dinheiro no andar de cima e também garantir a proteção de quem está na ponta. Nomear mais de 8 mil policiais, aumentar o efetivo da Polícia Civil. A Guarda Municipal do Recife tem um efetivo maior do que a Polícia Civil de Pernambuco.”

Lula e histórico do PSB no meio do debate

A relação dos candidatos com o presidente Lula e o histórico de alianças políticas também provocaram um dos confrontos entre Ivan Moraes e João Campos.

Ivan afirmou que sempre esteve no campo da esquerda e disse considerar a eleição de Lula uma prioridade para o campo democrático. Ao mesmo tempo, questionou mudanças de posicionamento do PSB ao longo dos anos e citou a eleição presidencial de 2014 e o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

“Sempre estive do lado da esquerda e acompanhei a sua evolução. Estou muito feliz que você está ao lado do presidente Lula, porque eu e você entendemos que a eleição do presidente Lula é a eleição mais importante do Brasil. Quero muito que a outra candidata também entenda. Ela está com Lula mais no off. Você está com Lula no on.”

Ivan Moares também afirmou que o PSB teria tido papel relevante no processo de impeachment de Dilma Rousseff e questionou João sobre mudanças de posição do partido.

João respondeu que o PSB foi importante para a sustentação do governo Lula em diferentes momentos e lembrou que seu pai, Eduardo Campos, deixou o Ministério da Ciência e Tecnologia para disputar o governo de Pernambuco e liderar a base de apoio ao presidente na Câmara.

“O seu partido nasceu de uma dissidência do PT. No momento mais difícil da vida de Lula, nesse mesmo momento em que o seu partido trabalhou lá em 2006 contra a eleição e a reeleição de Lula, o PSB, liderado por Eduardo Campos, ele deixou o Ministério para fazer parte e liderar a base de sustentação de Lula na Câmara Nacional para garantir a permanência do governo naquele momento.”

Ivan reconheceu a origem do PSOL em uma dissidência do PT, mas afirmou que sua posição atual em relação a Lula ocorre por considerar necessária a união do campo democrático.

“Eu estou a favor de Lula porque eu entendo que estar com Lula hoje é uma tarefa do campo democrático inteiro. Eu entendo que você faz parte do campo democrático, assim como a minha outra adversária também faz parte do campo democrático. Não é privilégio da esquerda defender o presidente Lula. Defender o presidente Lula é ser contra o fascismo. Isso todos nós somos e deveríamos afirmar que somos.”

João Campos voltou a defender a parceria com o governo federal e apresentou propostas para obras de infraestrutura, abastecimento de água e transporte. O socialista afirmou que pretende atuar para ampliar obras da Transnordestina e concluir intervenções relacionadas à Adutora do Agreste.

Ele ainda citou projetos de duplicação de rodovias e afirmou que pretende recuperar uma agenda de atração de grandes investimentos para Pernambuco. Além disso, afirmou que pretende ampliar a infraestrutura rodoviária e citou projetos de duplicação da PE-90, da BR-408 e da BR-423.

Saúde usada para comparar gestões

A saúde foi outro ponto em que João Campos e Raquel Lyra confrontaram os resultados de suas respectivas administrações. O candidato socialista questionou a governadora sobre o número de equipamentos públicos entregues durante o mandato, incluindo escolas técnicas, UPAs, unidades de especialidades e delegacias da mulher.

Raquel respondeu que encontrou uma estrutura de saúde pública, segundo ela, sucateada, e afirmou que não interrompeu a gestão para fazer cobranças sobre a situação herdada. A governadora citou obras e investimentos realizados durante o mandato e afirmou que estão sendo reformados hospitais e construídas novas unidades. Entre os equipamentos mencionados, estão o Hospital da Mulher do Agreste, hospitais da mulher em outras regiões do estado e o Hospital de Trauma de Caruaru.

Raquel também afirmou ter aberto mil leitos durante o governo e citou o programa Cuida PE, ao qual atribuiu mais de 380 mil cirurgias eletivas. “Entreguei o Hospital da Mulher do Agreste, que fazia 10 anos que a obra estava parada. Está lá fazendo 800 partos por mês. Estamos construindo quatro novos hospitais da mulher: Igarassu, Garanhuns, Serra Talhada e Ouricuri, dois deles em parceria com o presidente Lula, com o governo federal.”

João questionou ainda uma promessa atribuída à governadora durante a campanha anterior para a criação de centros destinados ao atendimento de crianças neurodivergentes.

Raquel Lyra, por sua vez, rebateu citando obras na saúde estadual e criticou a situação da rede municipal do Recife. Segundo ela, quatro unidades que funcionavam como policlínicas e UPAs 24 horas teriam sido fechadas durante a administração de João.

“Enquanto ele fala de inaugurações de UPAs, ele fechou quatro policlínicas, UPAs que funcionavam 24 horas no Recife. Na verdade, falta médico, medicamento e a população se reclama. Eu peguei uma saúde pública abandonada e não fui reclamar.”

Raquel Lyra discute mudanças climáticas com Ivan Moraes

A governadora questionou Ivan Moares sobre os investimentos realizados pelas administrações do PSB no Recife para contenção de enchentes. Raquel afirmou que o estado está ampliando os recursos destinados às encostas e citou obras de contenção e barragens.

Ivan, por sua vez, defendeu ações preventivas e criticou a permanência do projeto da Escola de Sargentos na área de Mata Atlântica na Região Metropolitana do Recife. O candidato também avaliou que as gestões do PSB na capital demorariam para transformar recursos disponíveis em obras.

“É muito importante que a gente permaneça cuidando da Mata Atlântica. Eu aproveito para fazer uma crítica à permanência do projeto da Escola de Sargentos no meio da mata. Acho que foi um erro do seu governo, que teve o aplauso também do ex-prefeito da capital, que atendeu a um pedido do Exército para construir uma Escola de Sargentos no meio de uma área de preservação, inclusive podendo prejudicar o acesso à água e podendo fazer com que mais eventos extremos cheguem.”

Raquel afirmou que o tema das enchentes foi tratado desde o início da atual gestão e citou obras de barragens, dragagem e retirada de palafitas. Entre as propostas apresentadas, mencionou a destinação de R$ 2 bilhões para encostas na Região Metropolitana e o programa Palafita Zero.

Ivan rebateu dizendo que os governos estadual e municipais precisam ampliar a capacidade de elaborar projetos para acessar recursos federais destinados à prevenção de desastres.

Raquel acusa João de mentir

Durante o debate, a governadora Raquel Lyra acusou o candidato João Campos de mentir após o ex-prefeito do Recife a acusar de agendar o aumento da conta d'água para depois das eleições.

“O Sertão de Pernambuco apresenta um desafio de abastecimento de água importante. No seu governo foi feita a concessão da Compesa. E a cláusula 30.2.2, que prevê um aumento da tarifa, por coincidência, logo depois da eleição, vai aumentar a conta [...] uma ação do governo dela. E a 30.3.1.1, prevê que esse reajuste vai ser a inflação acumulada de 2023 até 2026. Quer aumentar a conta de água em mais de 15% logo depois da eleição”, apontou o candidato do PSB.

Em resposta, a governadora afirmou que, em seu governo, a questão da água foi tratada como prioridade. Além disso, acusou João Campos de faltar com a verdade sobre o valor da conta e disse que o PSB 'abandonou e sucateou' a Compesa, não realizando obras estruturadoras para matar a sede do povo do Sertão pernambucano. A candidata também enfatizou que Campos era chefe de gabinete do ex-governador Paulo Câmara.

"A gente colocou a água como sendo prioridade no nosso governo. É importante dizer que o candidato falta com a verdade quando coloca essa conta aqui. Aliás, faltar com a verdade não é novidade para ele, ele mente o tempo inteiro [...] a conta que ele coloca não é a conta verdadeira, a conta é menor.”

Na réplica, o socialista questionou se quem governava o estado era a própria candidata ou o seu chefe de gabinete, e afirmou que haverá, na conta, um aumento de quase 15% após o fim do período eleitoral.

"Eu nunca fui governador de Pernambuco. Com fé em Deus e no povo, a partir de domingo, Pernambuco terá um governador eleito que vai fazer de verdade. Não vai ficar reclamando, botando culpa nos outros, vai resolver. Vocês viram que ela não respondeu. Infelizmente, se prepare, porque tá previsto no contrato, um aumento de quase 15% logo após as eleições", afirmou João.