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Bad Bunny autoriza versão de hit em propaganda eleitoral de Lula

Jingle adapta faixa do álbum 'Debí TiRAR MáS FOToS' e reforça discurso de soberania feito por Lula na ONU

Por Correio Braziliense

Letra adaptada da canção faz menção a recursos naturais como praias, rios e terras raras brasileiras

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, nesta terça-feira (23) uma nova peça eleitoral embalada por uma versão de Lo Que Le Pasó a Hawaii, música de Bad Bunny que integra o álbum Debí TiRAR MáS FOToS, vencedor do Grammy. O uso da canção foi autorizado pelo artista porto-riquenho.


No vídeo, a faixa ganha uma adaptação voltada ao discurso de soberania nacional adotado por Lula durante a campanha. A propaganda também contrapõe o presidente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e às iniciativas atribuídas ao governo de Donald Trump em relação ao Brasil.

O tema da soberania já havia aparecido com destaque no discurso de Lula na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta semana, quando o presidente condenou interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro.

A abertura da peça fica por conta do ator Wagner Moura, que faz uma breve referência à origem do sobrenome Silva. “Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”.

Na sequência, o ator relaciona o sobrenome à própria formação da identidade brasileira: “Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”.

A escolha de Lo Que Le Pasó a Hawaii acompanha a mensagem que Bad Bunny construiu na gravação original. A música aborda a perda de território, a gentrificação e a influência dos Estados Unidos sobre Porto Rico, utilizando a história do Havaí como referência para discutir identidade e soberania.

Na versão produzida para a campanha de Lula, a letra transporta essa discussão para temas brasileiros, com referências a recursos naturais, território e independência nacional.

"Querem tomar o rio, e também a praia, quere as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí".

Enquanto a adaptação toca, o vídeo exibe imagens de apoiadores de Jair Bolsonaro com bandeiras dos Estados Unidos e faz referências ao governo Trump. A peça também relaciona Flávio Bolsonaro à aproximação política com o presidente norte-americano.

O encerramento retoma diretamente a defesa da soberania feita por Lula: "O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro."

Bad Bunny e Trump

A participação da música na campanha ocorre meses depois de Bad Bunny protagonizar outro episódio de repercussão política nos Estados Unidos. Em fevereiro, o cantor comandou o intervalo do Super Bowl LX, em Santa Clara, na Califórnia, em uma apresentação repleta de referências à cultura porto-riquenha e à identidade latino-americana.

O espetáculo, que terminou com bandeiras de países das Américas e uma mensagem de união, foi alvo de críticas do presidente republicano que reclamou sobre o fato de o artista cantar em espanhol.

Bad Bunny já havia se posicionado contra políticas migratórias adotadas por Trump. A tournê de seu álbum, por exemplo, não passou pelos Estados Unidos para que fãs imigrantes não corressem risco de deportação.

Em DeBÍ TiRAR MáS FOToS, álbum do qual faz parte a música escolhida pela campanha brasileira, o cantor recorre à história e à cultura de Porto Rico para tratar de temas como colonização, deslocamento populacional e preservação da identidade da ilha.