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CASO MASTER

Flávio Bolsonaro voltou dos EUA ao Brasil no jato de Vorcaro também usado por Moraes

Senador embarcou com a família e o advogado Willer Tomaz na aeronave que a PF associa ao banqueiro; Viagem à Flórida coincidiu com as tratativas entre Flávio e Vorcaro para financiar "Dark Horse"

Nilton Vilanova

Publicado: 24/09/2026 às 11:05

Flávio, a família e Willer partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Trump/GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Flávio, a família e Willer partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Trump (GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), viajou em janeiro de 2025 na mesma aeronave que, sete meses depois, transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O avião, um jato executivo Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha uma de suas três cotas nas mãos de uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, hoje sob intervenção do Banco Central e alvo de investigações por suposta fraude bilionária.

A informação foi levantada pela revista Piauí a partir do cruzamento de dados de tráfego aéreo, documentos de movimentação em aeroportos e registros da Aeronáutica, e confirmada por outros veículos.

O voo

Flávio viajou com a mulher, a dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o amigo Willer Tomaz, advogado que hoje é investigado pela PF em um esquema de desvios do INSS . O grupo partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Donald Trump, e pousou em Brasília.

Antes de embarcar, a comitiva passou uma noite no Hard Rock Hotel & Casino, onde, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Tomaz teria sacado 236 mil dólares em espécie; o advogado confirmou a hospedagem, mas negou ter jogado.

O mesmo PP-NLR reapareceu em agosto de 2025 em um vídeo que mostra Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando da aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A viagem de Moraes e Viviane ocorreu em 22 de agosto de 2025, segundo o mesmo vídeo divulgado por Jardim.

A estrutura do avião

A propriedade da aeronave estava dividida em três cotas de aproximadamente um terço cada, sob a Fraction 024 Administração de Bem Próprio, empresa que reunia a copropriedade do jato. Uma cota pertencia a Tomaz, por meio de uma holding sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Outra era do empresário Laércio Cosentino, fundador da empresa de software TOTVS.

A terceira havia sido do empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e foi vendida no fim de 2024 à Prime You, empresa que a PF trata como de fato controlada por Vorcaro por meio de um sócio formal que atuaria como testa de ferro. A operação da aeronave era feita pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços, que integra o mesmo grupo.

Um relatório da PF avaliou cada cota em 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Documentos apurados por O Globo mostram ainda que um contrato de 50 milhões de reais entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes previa parte do pagamento em participações no jato e em um helicóptero, incluindo a própria cota da Fraction 024 detida por Vorcaro; a transferência não chegou a se concretizar.

Moraes e a defesa do escritório de Viviane afirmam que esse segundo contrato nunca existiu. Registros bancários analisados pela Piauí mostram que a Fraction 024 transferiu 7,6 milhões de reais ao Banco Master entre setembro de 2024 e setembro de 2025, além de 6,5 milhões de reais à Prime Aviation no mesmo período.


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