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Com força das frutas, da cana e da pecuária, Pernambuco impulsiona agro em ano de marca histórica no Brasil

Estado consolida protagonismo no campo enquanto país registra a maior produção agrícola da história

Por Nilton Vilanova

A uva gerou R$ 4,20 bilhões, posicionando-se como o produto de maior valor financeiro da agricultura em PE

Pernambuco acompanhou o forte ritmo de crescimento do campo no país em 2025, ano em que o valor da produção agropecuária brasileira atingiu a marca recorde de R$ 927,2 bilhões. No cenário estadual, o destaque absoluto ficou por conta da fruticultura irrigada, com a uva liderando o ranking de valor gerado, da tradicional cultura da cana-de-açúcar e da consolidação do estado como polo pecuário do Nordeste.

Os dados fazem parte dos levantamentos da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em todo o Brasil, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas cresceu 18,2% após a recuperação dos efeitos do fenômeno El Niño que afetaram o ciclo anterior. Pela primeira vez, a área colhida no país ultrapassou os 100 milhões de hectares.

Destaques da lavoura e da pecuária pernambucana

No recorte local, o Vale do São Francisco reafirmou sua posição como propulsor econômico do agronegócio. A uva gerou R$ 4,20 bilhões, posicionando-se como o produto de maior valor financeiro da agricultura pernambucana, impulsionado pelas exportações e pelo alto valor agregado do fruto voltado ao consumo in natura e à produção de vinhos.

Em termos de volume físico, a cana-de-açúcar manteve a liderança no estado, movimentando R$ 2,20 bilhões. A cultura segue como pilar econômico e social na Zona da Mata, sustentada pelo abastecimento do setor sucroalcooleiro para a fabricação de açúcar e etanol.

Principais produtos agrícolas de Pernambuco por valor gerado:

- Uva: R$ 4,20 bilhões

- Cana-de-açúcar: R$ 2,20 bilhões

- Banana: R$ 1,11 bilhão

- Manga: R$ 802,3 milhões

- Mandioca: R$ 565,0 milhões

- Goiaba: R$ 475,0 milhões

Além das lavouras, o levantamento do IBGE confirma a posição de destaque de Pernambuco na produção de proteína animal. O estado mantém o maior plantel de galináceos do Nordeste e o 7º maior do Brasil, contabilizando 68,6 milhões de cabeças impulsionadas pelo polo avícola do Agreste. A força da pecuária estadual se estende aos rebanhos de ovinos (3,9 milhões de cabeças) e caprinos (3,4 milhões), essenciais para a economia do Semiárido, e à bacia leiteira concentrada no Agreste Meridional, em municípios como Itaíba, Buíque e Pedra, que sustenta a produção de leite e derivados no estado.

O avanço do Nordeste e o mapa agrícola nacional

No contexto regional, o Nordeste totalizou R$ 113,7 bilhões no valor da produção agrícola, impulsionado tanto pela força dos polos irrigados de fruticultura quanto pelo avanço dos grãos e da fibra de algodão na região do Matopiba (Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins). A Bahia liderou o ranking nordestino com R$ 55,5 bilhões.

Em âmbito nacional, o Centro-Oeste retomou a liderança regional do valor da produção (R$ 288 bilhões), superando o Sudeste (R$ 271 bilhões). A soja manteve-se como a principal commodity do país, representando 34% de todo o valor agrícola nacional (R$ 315,2 bilhões), impulsionada pela demanda aquecida da China em meio às disputas comerciais com os Estados Unidos.

Outro destaque da safra brasileira foi o algodão, cuja produção cresceu 16,4%, alçando o Brasil ao posto de maior exportador mundial da fibra, graças aos ganhos de produtividade no Cerrado. O café também teve alta expressiva em valor (44,7%), alcançando R$ 100 bilhões devido à valorização da saca no mercado internacional.

O valor de R$ 927,2 bilhões é medido em moeda corrente de cada ano e representa o recorde nominal absoluto da série histórica da agricultura brasileira.