Afoxé Ylê de Egbá celebra 40 anos com festa gratuita no Recife
Festa no Alto José do Pinho celebra os 40 anos do primeiro afoxé do Recife e reúne diferentes expressões da cultura popular pernambucana
Publicado: 17/08/2026 às 17:48
Criado em 1986, o Ylê de Egbá é um dos grupos mais tradicionais da cultura negra do Recife (Foto: Divulgação)
O Alto José do Pinho, na Zona Norte do Recife, recebe no próximo sábado (22) uma programação gratuita para celebrar os 40 anos do Afoxé Ylê de Egbá. A festa marca a retomada do Kizomba – A Festa do Povo Negro na Rua e reúne música, cortejos, dança e manifestações das culturas negra, indígena e popular.
As atividades acontecem das 13h às 23h20, em frente ao Ponto de Cultura Afoxé Ylê de Egbá. A programação artística começa às 16h30, com DJ Phyno, e segue com apresentações da Tribo Indígena Tupã, Coletivo Danzáfrica Mandén, Tribo Indígena Tapirapé, União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE), Forró do Suco Elétrico, Maracatu Nação Porto Rico, Bongar e do próprio Ylê de Egbá, que encerra a noite. A apresentação fica por conta de Ana Paula Guedes.
Entre as atividades, está o Kizomba na Camisa, das 17h às 18h. A ação permite que o público leve uma camisa, ecobag ou outra peça para receber a nova marca do festival em serigrafia.
A comemoração acontece cinco dias após o aniversário oficial do grupo, fundado em 17 de agosto de 1986. Criado no Alto José do Pinho, o Ylê de Egbá surgiu a partir das rodas de samba e afoxé realizadas por Expedito Neves e Dito d’Osòósi (in memoriam), ligadas à Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáosi.
Ao longo de quatro décadas, o grupo construiu uma trajetória de afirmação da cultura negra e dos povos de terreiro. A música do Ylê chegou a festivais na Europa, e, em 1988, o grupo recebeu do Ministério da Cultura a Medalha do Centenário da Abolição.
Hoje, como Ponto de Cultura, o Ylê mantém atividades de formação no Alto José do Pinho, com oficinas de dança, percussão, agbê e práticas corporais afro-brasileiras que atendem cerca de 120 pessoas ao longo do ano, principalmente jovens, mulheres e moradores da comunidade.
A programação conta com incentivo da Secretaria de Cultura do Recife, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Prefeitura do Recife, por meio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC).
Patrimônio reconhecido pelo Recife
Os 40 anos também são celebrados três anos depois de uma conquista para os afoxés da cidade. Em junho de 2023, a Lei Municipal nº 19.067 declarou o Afoxé Patrimônio Cultural Imaterial do Município do Recife.
A legislação foi sancionada pelo prefeito João Campos e teve origem em projeto apresentado à época pelo vereador Ivan Moraes. Em 2024, a agremiação carnavalesca também foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, proposto pelo vereador licenciado Marco Aurélio.
Para Ylê, a data também abre espaço para discutir os caminhos posteriores ao reconhecimento. O grupo defende que a valorização patrimonial avance para uma agenda permanente de circulação, formação, salvaguarda e presença dos afoxés na programação cultural da cidade.
A retomada do Kizomba integra esse movimento. Criada em 2013 pelo Ylê de Egbá, a festa nasceu para ocupar a rua com manifestações afro-brasileiras, afro-indígenas e periféricas. Depois da edição comemorativa, estão previstas novas atividades: Kizombinha, em outubro; Kizomba numa Noite no Quilombo, em novembro; e Kizomba de Direitos, em dezembro.
Serviço:
Primeiro afoxé do Recife comemora 40 anos com programação gratuita
Data: sábado, 22 de agosto
Horário: das 13h às 23h20
Onde: em frente ao Ponto de Cultura Afoxé Ylê de Egbá, Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife
Ingresso: gratuito
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