FLUP PE abre inscrições para formação literária gratuita voltada a mulheres das periferias
4. Com inscrições gratuitas até 6 de novembro, projeto "As Filhas das Filhas das Filhas" vai selecionar 30 mulheres para oficinas de escrita, mentoria literária e publicação coletiva.
Publicado: 19/10/2026 às 12:57
Nova edição da FLUP PE vai selecionar até 30 mulheres para uma formação literária gratuita (Foto: Divulgação)
A Festa Literária das Periferias de Pernambuco (FLUP PE) está com inscrições abertas até 6 de novembro para o processo formativo “As Filhas das Filhas das Filhas”, que selecionará até 30 mulheres para uma formação literária gratuita. A iniciativa é voltada a maiores de 18 anos que residam em periferias, quilombos, aldeias ou comunidades da Região Metropolitana do Recife, com ou sem experiência na literatura.
As interessadas devem preencher o formulário disponível no perfil @flup.pe.2026 e enviar um texto inédito em prosa ou poesia, inspirado na provocação “Do silêncio à palavra: quantas vozes ecoam em mim?”. O material será utilizado como principal critério de avaliação, considerando originalidade, criatividade, qualidade literária e conexão com o tema.
Os trabalhos devem ser enviados em PDF, com até duas páginas ou mil palavras, sem identificação da autora e assinados com pseudônimo. Textos publicados anteriormente, inclusive nas redes sociais, ou com indícios de uso de inteligência artificial serão desclassificados.
A seleção ocorrerá de 9 a 20 de novembro, com resultado preliminar previsto para 23 de novembro e divulgação definitiva em 30 de novembro. Em janeiro de 2027, as selecionadas participarão de uma imersão literária, divididas em três turmas de até dez mulheres, conforme a escolha entre prosa e poesia.
A formação será conduzida pelas escritoras e formadoras Taylane Cruz, Fátima Farias e Eva Potiguara e resultará em uma coletânea de textos. A inclusão na publicação dependerá da participação em pelo menos 80% das atividades.
Ciclo de palestras
Além da formação, a FLUP PE promove, de 11 a 13 de dezembro de 2026, um ciclo gratuito de palestras, debates, rodas de diálogo e oficinas no COMPAZ Dom Helder Câmara, no Recife. A programação é obrigatória para as selecionadas, mas também estará aberta ao público em geral.
Os encontros abordarão temas como feminismo negro, memória, ancestralidade, escrevivências, afrofuturismo, protagonismo negro na tecnologia e a luta histórica das mulheres negras por direitos e autonomia. Entre as convidadas previstas estão as escritoras Cidinha da Silva, Cristiane Sobral, Mel Duarte, Lubi Prates e Lu Ain Zaila, além da ativista Mirtes Renata.
Homenagem e representatividade
A edição de 2026 tem como referências as trajetórias de Mirtes Renata Santana de Souza e Laudelina de Campos Melo, mulheres que marcaram a luta por direitos das trabalhadoras domésticas e pelo enfrentamento das desigualdades impostas às mulheres negras.
Mirtes tornou-se uma voz importante na busca por justiça após a morte de seu filho, Miguel Otávio, de cinco anos, em 2020. A criança caiu do nono andar de um edifício no Recife enquanto a mãe, empregada doméstica, havia saído para passear com o cachorro da patroa. Posteriormente, Mirtes ingressou no curso de Direito, concluído recentemente, e ampliou sua atuação na defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas.
Laudelina de Campos Melo, por sua vez, foi sindicalista, ativista negra e pioneira na organização das trabalhadoras domésticas no Brasil. As duas trajetórias orientam a proposta política e literária do projeto, que busca estimular a criação de novas narrativas e ampliar as possibilidades de acesso à educação e à produção cultural.
“A identificação de potenciais escritores que a Flup vem fazendo ao longo de seus 16 anos de existência, abrindo portas para que muitos deles cheguem ao mercado editorial, é um dos grandes trunfos e diferenciais deste evento”, afirma Tarciana Portella, coordenadora da FLUP PE. Segundo ela, as publicações da festa são acompanhadas por representantes de editoras, festivais e eventos literários, funcionando como um termômetro da produção das periferias brasileiras.
Criada no Rio de Janeiro, em 2012, a FLUP desenvolve processos formativos que aproximam literatura, memória, território e criação. O Selo FLUP já reúne mais de 40 publicações produzidas em parceria com diferentes instituições. Em Pernambuco, “As Filhas das Filhas das Filhas” dá continuidade a essa proposta, com a produção de uma coletânea de poesias e prosas.
A FLUP PE é realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Delta Zero para o Desenvolvimento da Economia Criativa, em co-realização com a produtora Suave e a Associação Na Nave. O evento conta com apoio da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz.