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Designer lança livro que ressalta sofisticação da xilogravura em mais de 500 capas de cordel

Designer alagoano Victor Yves pesquisa o cordel há 15 anos e reúne 500 capas em livro que evidencia a sofisticação das tipografias, xilogravuras e técnicas de impressão nordestinas

Allan Lopes

Publicado: 08/10/2026 às 11:23

Publicação reúne 700 páginas de capas de cordel e propõe novo olhar sobre a produção gráfica nordestina/Foto: Rafaela Pimenta

Publicação reúne 700 páginas de capas de cordel e propõe novo olhar sobre a produção gráfica nordestina (Foto: Rafaela Pimenta)

Associado à literatura, à poesia e à cultura popular, o cordel também pode ser entendido como uma sofisticada linguagem visual. É a partir dessa perspectiva que o designer alagoano Victor Yves construiu o livro “Visual Culture of Northeast Brazil: Cordel Edition”, no qual evidencia a contribuição de xilogravadores, tipógrafos, impressores e artistas populares para a formação da linguagem gráfica brasileira.

A publicação reúne mais de 500 capas produzidas desde a década de 1950 e chega ao Recife nesta quinta-feira (9), com lançamento no Saltim Café e Tal, em Boa Viagem. A programação começa às 17h, com uma oficina de xilogravura e tipografia conduzida pelo cordelista Waldila, e segue às 19h30 com o lançamento gratuito do livro. As inscrições para as duas atividades estão disponíveis no Sympla.

Ao longo de 700 páginas, o livro revela a diversidade de soluções visuais desenvolvidas no universo do cordel, com diferentes tipografias, composições gráficas, processos de impressão, usos da cor e técnicas de ilustração. “O Cordel é muito visto como uma tipografia feita à mão. Mas eu acho que isso não é 100% correto”, diz Victor Yves.

“Espero que o público de Pernambuco e do Brasil passe a enxergar o cordel também como um sistema sofisticado de design gráfico, capaz de revelar uma riqueza visual que muitas vezes não recebe a devida atenção”, completa o autor.

“Visual Culture of Northeast Brazil: Cordel Edition” ainda mostra trabalhos de xilogravuristas que empregavam técnicas semelhantes às do scanner, mas de forma artesanal, além de processos utilizados por nomes como Mestre Dila e J. Borges.

Segundo Victor, algumas dessas soluções guardam semelhanças com técnicas contemporâneas, como a risografia, processo de impressão digital que também trabalha com a transferência de tinta para o papel. “Vejo uma proximidade muito grande entre a sofisticação do que foi produzido no cordel e o trabalho que esses grupos internacionais de tipografia desenvolvem atualmente”, conta o designer.

Produzido sem editora comercial e financiado pelos próprios realizadores, o livro teve uma tiragem inicial de mil exemplares. Metade foi direcionada ao mercado internacional e já está esgotada. Antes de chegar ao Brasil, o projeto conquistou espaço em livrarias e lojas em Tóquio, Nova York, Berlim, Paris, entre outras cidades do exterior.

Para o lançamento no Recife, a expectativa é ainda maior. “Espero que isso também sirva de inspiração para continuar difundindo a cultura do Cordel. É uma riqueza nossa que ninguém mais tem”, conclui. A edição nacional também inclui “A Oficina Verbal das Capas”, publicação complementar com aproximadamente 90 páginas de traduções, ensaios, poemas e textos inéditos.

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