Aclamado em Cannes, ‘A Bola Preta’ abre programação do 28º Festival do Rio nesta quinta (1º)
Festival dá início à sua 28ª edição nesta quinta-feira (1º) e conta com forte presença de filmes pernambucanos, como o suspense 'A Margem do Rio' e o documentário 'Vivo 76'
Publicado: 01/10/2026 às 06:00
Penélope Cruz em cena do elogiado 'A Bola Preta', vencedor do prêmio de Melhor Direção do Festival de Cannes (Netflix/Divulgação)
Reunindo alguns dos lançamentos mais aguardados do cinema brasileiro e internacional deste ano, a 28ª edição do Festival do Rio começa nesta quinta-feira (1º) consolidando uma das mais prestigiadas janelas do audiovisual brasileiro. A programação, que segue até o dia 10 de outubro na capital carioca, será acompanhada presencialmente pela cobertura do Diario.
Grande sensação do 79º Festival de Cannes 2026, o drama épico espanhol “A Bola Preta” será o filme de abertura deste ano. Dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrosi, o filme segue três histórias interligadas pelo desejo de homens que viveram em épocas distintas da história do país. Ilda Santiago, curadora e diretora geral do festival, destaca a atualidade da produção escolhida para abrir a programação.
“Esse filme traz para os olhos de hoje uma história recente da Espanha que não é suficientemente lembrada. Acho que estamos vivendo de maneira tão acelerada que o nosso passado próximo vem sendo facilmente esquecido, como seres humanos mesmo. Queremos mandar esse filme como mensagem por ele ser extremamente vibrante, cheio de vida, triste às vezes, mas muito cheio de visualidades contemporâneas”, explica.
Ao todo, 359 produções compõem a grade do Festival do Rio. Títulos celebrados no Festival de Veneza, como“Ink”, de Danny Boyle, e “Cavalo Selvagem Nove”, de Martin McDonagh, além dos que fizeram barulho em Cannes, como “Covarde”, de Lukas Dhont, “Monstro Gentil”, de Marie Kreutzer, e “Hope: O Primeiro Impacto”, de Na Hong-jin, se destacam entre os internacionais.
Enquanto isso, entre os brasileiros, muitas expectativas se voltam para o drama “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, recém-chegado do Festival de Toronto. Escolhido para representar o Brasil na categoria internacional do Oscar 2027, "Feito Pipa", de Allan Deberton, é outro lançamento confirmado no Rio.
O cinema pernambucano vai estar bem representado na mostra Premiere Brasil por produções já exaltadas em outros festivais, como o suspense “A Margem do Rio”, estreia em longa de Enock Carvalho e Matheus Farias. “Vivo 76”, documentário de Lírio Ferreira sobre a fase mais psicodélica de Alceu Valença, também ganha exibições especiais no evento. Dirigido por Camila Valença, “Cão Sem Plumas”, filme de estrada inspirado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto, é mais um longa de Pernambuco confirmado na programação.
Produzida em Caruaru, a animação "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo", já elogiada internacionalmente, também terá seu espaço nesta 28ª edição do festival, com sessão seguida de debate com os realizadores. Já aguardada série "Delegado", de Leonardo Lacca e Marcelo Lordello, com produção de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, completa a programação de estreias pernambucanas na seleção oficial.
"A presença no festival de tantos filmes de estados descentralizados, que estão com produção crescente nos últimos anos, não é favor nenhum, é consequência de muito talento e de políticas públicas que possibilitaram essas vozes autorais hoje tão importantes para o cinema brasileiro", destaca Ilda. "O festival é uma grande celebração do cinema brasileiro, latino e internacional. E por isso que essa pluralidade da seleção é tão essencial", completa.