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Projetos de reativação de cinemas de rua no Grande Recife se estendem para 2027

Diario faz levantamento das atuais condições dos cinemas de rua do Grande Recife, das obras com previsão de entrega aos projetos aguardando apresentação

André Guerra

Publicado: 06/10/2026 às 06:00

Cine Olinda, fechado há mais de 50 anos, a espera de requalificação/Foto: Rafael Vieira/DP

Cine Olinda, fechado há mais de 50 anos, a espera de requalificação (Foto: Rafael Vieira/DP)

Três anos atrás, com o lançamento de “Retratos Fantasmas”, de Kleber Mendonça Filho, o assunto dos cinemas de rua do Recife voltou com mais força do que nunca ao debate cultural, político e social — não apenas na cidade, mas em nível nacional também.

O Cine São Luiz, último em funcionamento da era de ouro dos cinemas clássicos (que predominavam na capital a partir da década de 1940), reforçou seu status de símbolo de resistência. A comoção provocou algumas iniciativas do poder público para revitalizar os equipamentos e reativar as salas do Teatro Apolo, Trianon, Art-Palácio e Cine Olinda.

CINE APOLO

A que tem previsão de entrega no curto prazo é o cinema do Teatro Apolo, localizado no Bairro do Recife, que está sem sessões desde 2016, quando foi fechado por problemas técnicos. Procurada pelo Diario, a Secretaria de Cultura do Recife (Secult) e a Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) afirmaram que as tratativas para a requalificação estão em andamento a partir de duas frentes de trabalho, abrangendo tanto as intervenções arquitetônicas quanto a aquisição dos equipamentos audiovisuais específicos, com nova previsão de execução dos recursos até o final de 2027.

O prazo representa um atraso em relação ao que foi divulgado pela prefeitura no Diário Oficial do Recife em 13 de setembro de 2025. Na ocasião, a publicação anunciou um investimento de mais de R$ 2 milhões para o equipamento e para o Teatro do Parque, através do Convênio nº 0001/2024, celebrado entre Secult e a FCCR, que tinha previsão de conclusão de execução até o final deste ano.

Agora, a expectativa é de que as licitações das obras ocorram até o final de 2026, com um novo prazo de execução que se estenderá entre 10 e 12 meses. Em nota, a gestão afirmou que “a revitalização do Apolo reconhece o papel estratégico dos cinemas públicos de rua na preservação da memória cultural, na dinamização da vida urbana e na revitalização dos territórios onde estão inseridos, já que os mesmos funcionam ainda como vitrine para a produção audiovisual local e nacional”.

ART-PALÁCIO E TRIANON

Outros espaços aguardando reabertura são os cinemas Art-Palácio e Trianon, inaugurados respectivamente em 1940 e 1945 e fechados em 1993 e 1995. Os prédios onde ficam localizados os equipamentos, no bairro de Santo Antônio, de frente para o São Luiz, foram desapropriados pela Prefeitura do Recife para a construção de um novo campus do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), que prevê o funcionamento de um novo cinema, gestado pelo Ministério da Educação (MEC).

A reportagem procurou o MEC em agosto deste ano, quando o órgão declarou que o governo está na fase de finalização dos artefatos para a licitação da obra e que o funcionamento do cinema depende da finalização da infraestrutura, das parcerias e dos financiamentos necessários. Procurado novamente na última semana, o MEC não respondeu se o projeto avançou ainda mais.

CINE OLINDA

Já o Cine Olinda, inaugurado em 1911 e localizado na Avenida Sigismundo Gonçalves, ao lado da Praça do Carmo, segue fechado desde 1965. Em nota, a Prefeitura informou à reportagem que está concluindo os projetos complementares necessários à reforma do equipamento. “Esta etapa reforça projeto já existente e contempla definições técnicas relacionadas aos sistemas de iluminação, sonorização, climatização e acústica, indispensáveis para o andamento do processo de requalificação do espaço”, diz a prefeitura.

A gestão afirma ainda que, após a conclusão desse projeto, será possível avançar para a licitação das obras de requalificação e, posteriormente, para a reativação do espaço. “Por se tratar de um imóvel de valor histórico e patrimonial, o processo exige alinhamento e acompanhamento de órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio, como a Fundarpe e o Iphan”, conclui a resposta.

“As salas de rua, de modo geral, sempre foram essenciais para a formação de uma cultura cinematográfica. As televisões só vão ser totalmente difundidas a partir dos anos 1960, então a única forma de ver filmes por muito tempo era nos cinemas”, salienta Arthur Lira, professor da Universidade Federal de Pernambuco especializado em História do Cinema.

O pesquisador reforça ainda a importância das salas para o cinema do estado. “Nossa produção vai muito além dos famosos ciclos. Quando a gente olha para a história do Centro do Recife, conseguimos descobrir que a experiência e a prática social do cinema contam a própria história da cidade”, aponta Arthur.

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