Espetáculo "Aparecida" estreia em Jaboatão com texto sobre feminicídio e violência contra a mulher
Peça "Aparecida" nasceu de pesquisa realizada pela atriz Gheuza e pelo dramaturgo Eric Valença em registros de mulheres atendidas pela rede de proteção
Publicado: 28/09/2026 às 18:24
Montagem protagonizada por Gheuza discute feminicídio, abuso e violência contra a mulher (Foto: Eric Valença)
O feminicídio e os caminhos que levam à violência contra a mulher centralizam a narrativa do espetáculo solo “Aparecida”, protagonizado pela atriz Gheuza. A montagem será apresentada nesta quinta-feira (1º) e sexta-feira (2), às 20h, na Fabulosa Arte Colab, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, dentro da programação do projeto “Monólogas: Cinco Cenas Femininas”. Os ingressos custam R$20 e estão disponíveis na bilheteria física e no Sympla.
A peça nasceu de uma pesquisa realizada por Gheuza e pelo diretor e dramaturgo Eric Valença, que consultaram prontuários da Delegacia da Mulher e de unidades de acolhimento. A partir dos relatos registrados nesses documentos, a montagem acompanha Aparecida, uma investigadora policial responsável por casos de violência contra mulheres.
No palco, a personagem conduz o público pelas investigações e pelos diferentes estágios do abuso, enquanto também revela marcas da própria experiência dentro da corporação. A dramaturgia mistura a voz da investigadora às histórias de mulheres ouvidas durante a pesquisa e à experiência da própria atriz.
“Não é apenas a voz de Aparecida que ecoa no diálogo. Dela emerge uma dramaturgia polifônica em que a voz da personagem se mistura com a voz de várias mulheres que passam por situações cotidianamente e a minha voz, de mulher negra”, afirma Gheuza.
Além das apresentações, a programação inclui um bate-papo com o público e a DJ Marte (Rafaella Rafael). No dia 2, haverá intérprete de Libras. Os ingressos custam R$ 20 e estão disponíveis pelo Sympla. A classificação indicativa é de 14 anos.
A montagem também terá uma apresentação para estudantes da rede pública estadual no dia 30 de setembro. A programação social inclui ainda oficinas de teatro para mulheres a partir dos 18 anos, ministradas por Gheuza, com atividades voltadas à percepção da voz em cena e à reflexão sobre textos e contextos teatrais.
Em Pernambuco, a oficina será realizada na Fabulosa Arte Colab. Outras duas estão previstas para Brasília e Ceilândia, onde o espetáculo também será apresentado no fim de outubro.
Além de atriz, Gheuza é produtora cultural e uma das fundadoras da Fabulosa Arte Colab, ao lado da atriz e produtora Cira Ramos. Formada pelo Curso Técnico de Formação de Atores da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), ela tem trabalhos no teatro, no cinema e na televisão.
Entre as montagens das quais participou estão “Marilyn, Marilyn”, de João Falcão, com direção de Guilherme Coelho, “Paixão de Cristo”, em Nova Jerusalém, e “Sobrados e Mocambos”, dirigido por Antonio Cadengue. No audiovisual, esteve em filmes como “Lispectorante” (2022), de Renata Pinheiro, “Dente” (2021), de Rita Luna, e “Rio Doce” (2017), de Fellipe Fernandes.
Gheuza também integrou produções televisivas como “Amorteamo” e “Sob Nova Direção”. Mais recentemente, está no elenco de “Banho de Choque”, curta-metragem de Cíntia Lima que estreou no 59º Festival de Brasília.
Em “Aparecida”, ela também assina a dramaturgia ao lado de Eric Valença, que dirige e produz o espetáculo. A trilha sonora original é de Fábio Gomes, com a oração de Nossa Senhora Aparecida em iorubá. A criação de luz é de Luciana Raposo, com execução de Sueides Leal (Pipia).