"Conquista muito grande", diz Priscila Senna sobre show inédito no Rock in Rio neste sábado
Em aguardada apresentação que promete marcar a sua carreira, Priscila Senna leva show inédito "No Alto da Minha História" ao palco Favela do 11º Rock in Rio
Publicado: 12/09/2026 às 06:00
Em entrevista ao Diario, Priscila relembra época em que ser cantora era um sonho de infância. "Ouvi muitos nãos e sofri muito preconceito", diz (Divulgação)
Um momento simbólico de conquista de espaço está marcado para as 16h45 deste sábado (12), no Palco Favela do festival carioca Rock in Rio. Trazendo o espetáculo inédito “No Alto da Minha História” como um manifesto autoconsciente do seu poder representativo para o brega, Priscila Senna ocupa um dos polos mais prestigiados da música brasileira, com bailarinos, trocas de figurinos e um repertório que promete misturar seus sucessos e instrumentistas ligados a diversos elementos da sua identidade pernambucana.
“É uma conquista muito grande porque o brega passou muitos anos sendo discriminado e tratado como um gênero menor. Para uma mulher cantando, então, sempre foi ainda mais difícil”, declara a cantora em entrevista ao Diario. “Eu passei por muita coisa ao longo da minha carreira, ouvi muitos ‘nãos’, enfrentei preconceito e precisei provar inúmeras vezes o valor da nossa música e do meu trabalho. Chegar ao Rock in Rio tem um significado grande porque não é só a Priscila Senna naquele palco: é o brega, é Pernambuco, é a periferia, é muita gente que batalhou para que esse gênero fosse respeitado”.
O histórico desbravador da artista, que já soma mais de 20 anos de carreira, vem de um período bem anterior a seu aguardado show de hoje. Marcando pioneirismo no brega ao tomar conta do palco do Marco Zero do Carnaval do Recife, em 2020, ela seguiu levando o gênero para milhões de pessoas com a gravação do seu DVD e se apresentando em programas nacionais e grandes projetos, como os Ensaios da Anitta e o Buteco do Gusttavo Lima. Em novembro deste ano, ela tem na agenda uma apresentação no Festival Rock the Mountain, que ocorre em Petrópolis, também no Rio de Janeiro.
Emocionada, ela revela que sempre assistiu de casa às apresentações do Rock in Rio e relembra o seu sonho de cantora, nutrido desde a infância. “Sempre assisti de casa aos artistas do mundo se apresentando ali e buscando seu espaço. Eu ficava sozinha com meus irmãos, cuidando deles enquanto meus pais trabalhavam, minha mãe como doméstica e meu pai como gari. E nunca desisti do meu sonho de ser cantora. E olha só onde chegamos”, exalta.
Ela garante que o show será uma maneira de contar um pouco de sua história e reforçar a personalidade real do brega. “É um espetáculo lindo, idealizado especialmente para esse momento e com algumas surpresas que, naturalmente, o público só vai descobrir no sábado. Aguardem”, promete Priscila.
MAIS PERNAMBUCO
Às 20h10, quem transforma o Rock in Rio em um cortejo de cultura popular é João Gomes. Tomando conta do Palco Sunset, o cantor pernambucano reúne mais de 200 artistas e diferentes símbolos da tradição nordestina. Um Galo da Madrugada de 16 metros de altura está previsto para subir no meio do festival, anunciando a chegada do carnaval ao lado também do Homem da Meia Noite, Boi da Macuca e Maracatu Piaba de Ouro. Com isso, todo o Rock in Rio adquire outra atmosfera.
O Maestro Oséas e o Maestro Spok conduzem a orquestra de frevo logo na sequência, enquanto 25 pernas de pau da Oficina Pernaltas ocupam o espaço e ampliam a dimensão do cortejo. Nesta 11ª edição do festival, os símbolos mais reconhecíveis do carnaval pernambucano — o forró, o frevo, o maracatu, os bonecos gigantes, os bois e o brega, que vem se incorporando de modo canônico à festividade nas ruas — conquistaram seu espaço e demonstram que vieram para ficar.