° / °
Viver
CRÍTICA

Terror ‘Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte’ vira o gênero de ponta-cabeça

Filme vencedor da Queer Palm do Festival de Cannes 2026 ganha pré-estreia no Recife neste sábado (8), no Cinema da Fundação, e entra em cartaz a partir do dia 13 de agosto

André Guerra

Publicado: 07/08/2026 às 17:40

Longa venceu a Queer Palm do Festival de Cannes 2026, prêmio dedicado a filmes com temática LGBTQIAPN+/Retrato Filmes/Divulgação

Longa venceu a Queer Palm do Festival de Cannes 2026, prêmio dedicado a filmes com temática LGBTQIAPN+ (Retrato Filmes/Divulgação)

Depois de conquistar o 79º Festival de Cannes, em maio deste ano, quando foi o filme de abertura da mostra Un Certain Regard (“Um Certo Olhar”) e venceu o prêmio paralelo Queer Palm, o terror satírico “Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte” chega aos cinemas do Recife para uma aguardada pré-estreia, que ocorre neste sábado (8), no Cinema da Fundação, às 20h30.

Na trama, Hannah Einbinder interpreta Kris, uma jovem cineasta que precisa revitalizar uma franquia de grande sucesso chamada “Camp Miasma” após várias sequências fracassadas criativamente. Obcecada em encontrar Billy (Gillian Anderson), uma atriz que viveu a protagonista no longa original da saga, ela vai até uma casa de campo para ter esse encontro. O que começa como uma conversa, no entanto, se transforma em uma experiência sangrenta em que o desejo se mistura com a violência de maneira indivisível.

A diretora Jane Schoenbrun, também autora do argumento, vem se tornando uma das vozes mais específicas do cinema de terror independente norte-americano, especialmente depois da excelente repercussão de “Eu Vi o Brilho da TV”, de 2024. A atmosfera sombria e anacrônica evocada pelos seus filmes é possivelmente sua marca mais poderosa e “Acampamento Miasma” adiciona ainda mais elementos ao seu universo particular.

A primeira hora é carregada de verborragia, mas as cenas que dialogam de modo franco e direto com o horror de cabana possuem uma iconografia bastante criativa. Convicta desse mundo que criou, a cineasta brinca como pode com as possibilidades visuais da metalinguagem, culminando em um verdadeiro nó nos conceitos basilares do gênero.

As interpretações de Einbinder e Anderson são tão boas que tornam leve um texto tão afiadamente direcionado a fãs de horror. Enquanto articula elementos de slasher com comentários contemporâneos e cheios de metalinguagem, o filme de Jane Schoenbrun é divertido e, dentro do seu absurdo, razoavelmente assustador.

Pena que a diretora estique demais a corda no terceiro ato e, em uma escolha arriscada, leve “Acampamento Miasma” para uma direção excessivamente críptica e enigmática que subtraia um pouco da sua diversão. Há pelo menos quatro finais diferentes no filme. Entre todas as acusações possíveis aqui, falta de ousadia e criatividade definitivamente não estão entre elas.

Mais de Viver

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas